Salamanca de David, por Woden Madruga

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Jornal de WM na Tribuna do Norte – 4/11/2011

Salamanca de David – David de Medeiros Leite, escritor, poeta, professor da UERN, pega o começo da noite de hoje para lançar, na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, seu livro Cartas de Salamanca, que sai com o selo da Sarau de Letras, editora mossoroense. A orelha é assinada por Carlos Fialho e um posfácio de Jessé de Andrade Alexandria. Capa de Arthur Farias e ilustrações de Miguel Elias, Brito e Silva e Augusto Paiva, que fez também o projeto gráfico. Edição perfeita que nos conduz à leitura agradável das crônicas de David. As Cartas de Salamanca são na verdade crônicas, num total de 40, que o autor andou publicando na revista Papangu e em jornais de Mossoró. Foram escritas durante o tempo que David Leite viveu na Espanha, fazendo doutorado na famosa Universidade. Mas nem todas falam sobre Salamanca. Algumas delas trazem o autor de volta a Mossoró e a Natal, onde hoje vive, o cronista sem perder o contato com as pessoas e as coisas da aldeia nativa, numa e noutra crônica as comparações entre as duas margens separadas pelo mesmo mar Atlântico. Além de Salamanca, David conta suas escapadas por Paris e Porto, em Portugal, e também por outras cidades da Espanha, como Ávila, onde nasceu Santa Tereza, Alba de Tormes, onde está enterrada a santa (“Em Alba de Tormes, o coração de Santa Tereza está exposto em um relicário. Até o mais duro dos corações que por ali passe certamente não deixará de ser tocado pela emoção”) e Tordesilhas, aquela do meridiano que a gente aprendeu nos livros de geografia de Aroldo Azevedo, bons tempos dos ginásios de antigamente. Conta da sua vista ao Museu do Tratado, que guarda tal documento (1494) que define os limites das terras Portugal e Espanha na América. O nosso primeiro condomínio… Evidente que David não iria esquecer por estas andanças as comidas e as bebidas dos lugares onde viveu e visitou. As “paellas”, por exemplo; mas tem, também, os “jamóns e os “hormazos” e, claro, o “cochinillo” – o leitãozinho recheado. Este nunca pode faltar nas mesas mais requintadas. Entre tais pratos, as saladas, as lentilhas e um franguinho de vez em quando. Ou um peixe. Isso sem falar nos vinhos e nos pães (“ Nas principais refeições, o pão e o vinho são imprescindíveis, como acompanhamento.”). Depois chegam os doces e a festa continua. David Leite, recomendado por Diógenes da Cunha Lima, descobre na Casa Museu Miguel de Unamuno uma carta de Luís da Câmara Cascudo para o grande escritor e filósofo que, por muitos anos foi o Reitor da lendária Universidade de Salamanca. A carta é datada de 22 de novembro de 1924. Cascudo tinha 25 anos. Na carta, Cascudo manifesta seu protesto contra o banimento que Unamuno sofreu da parte do ditador espanhol, general Primo de Rivera. Foi desterrado para a Ilha de Fuerteventura. O texto manuscrito é reproduzido (fac-similar) no livro de David. Cascudo morava, então, no bairro do Tirol (rua Jundiaí, 20), na casa do seu pai e escrevia para o jornal “A Imprensa”. Começa assim: “Dom Miguel de Unamuno, Mestre longínquo e querido. Muito saudar. Inútil será dizer-lhe que em meu pequeno diário “A Imprensa” protestei em viva e sincera voz contra o banimento absurdo que lhe fere e a todos nós, seus discípulos dispersos e a anônimos da extensão da Sulamérica e Europa”.

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