Claro Enigma

Claro Enigma

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A forma inacabada da palavra

Não dita, mas imaginada

Em outras formas ainda não criadas.

A sombra da forma idealizada

No fio da palavra quase tecida.

O que na palavra fez seu refúgio

E não se fez entendido, apenas desejado.

O que para existir precisa ser apanhado,

Na forma de besouro descuidado,

Na teia da palavra inacessível.

O que na quietude se fez contemplativo

E no esquecimento muito mais sentido.

O que está perdido não na voz, no ruído,

Mas no emudecer perpétuo do repouso,

No silêncio de um grito.

 

José Saddock de Albuquerque