O Velho Mercado e o drama de Chico de Anselmo.

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O Velho Mercado e o drama de Chico de Anselmo.

Chico de Anselmo acorda e logo cedo vai para o mercado. Chega as quatro horas da madrugada, vai direto para a bodega de Seu Romão. Lá encontra João Régio, que com uma enorme cesta, se prepara para fazer o “rancho” para enviar para o navio que encontra-se no Lamerão. Como todas as bancas ainda encontram-se fechadas, pede uma bicada de Zinebra, com a desculpa que é para curar uma dor de estomago. Em seguida sai e passa na banca de Dona Angelina para encomendar um prato de canjicão e alguns cuzcuz. Após ser atendido sai visitando as bancas de carne, passa na de Silvério Medeiros, Tiquinho de Geraldo, Antonio Nequin, Chico Tobiba, Ticó Tobiba, nada lhe agrada a carne ta pelos olhos da cara. Resolve ir até a banca de Chico Palombeta, especialista na venda de carne de miunça, compra um quilo de bode e sai a procura da Banca de Geraldo Fateiro, onde irá comprar a mistura para o feijão.

De posse das primeiras compras faltava a parte de secos, feijão, farinha, café em grão para torrar em casa, açúcar, etc. O problema era que tudo estava muito caro, o jeito era fazer uma pesquisa. Começou então a peregrinação: entrou na bodega de Manoel Teixeira, na parte externa do mercado, perguntou os preços e saiu, continuou, foi a Severino Gila, Manoel Ferreira, Modesto, Januario, Gumercindo, os preços eram todos iguais. Voltou para a parte interna e foi a todas as bancas de Chiquinho de Romão, Zé Gordinho, Xixi Borja, Manoel Borja, Percy, Betinho Mendonça, Zé Amâncio, Zé Aleijado , Godofredo Coutinho e nada, os preços eram os mesmos. Escolheu a banca que estava a sua frente e realizou suas compras. Comprou a verdura em seu Herminio e bananas em dona Aninha Louceira. Foi aí que lembrou-se das encomendas que sua esposa havia feito. Passar na loja de seu Leão e comprar um metro de morim para forrar uma saia, depois na loja de seu Firmo Fernandes para comprar um vidro para o quadro de São Jorge da sala. Ainda tinha a encomenda para comprar um metro de sianinha para enfeitar o vestido da filha, e isto só ia encontrar em Antonio Abreu. Graças a Deus exclama o pobre homem! Foi quando se lembrou que ainda faltava comprar uma braça de linha de pescar para o pião do filho e tinha que ser na banca do pai de Antonio da Barra.

Após cumprir todo o roteiro chamou o velho Morga, que colocou tudo em um balaio e foi deixar em sua casa no Valadão.

Getúlio Teixeira é macauense e colaborador deste sítio.

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