Maresia

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Maresia

Foto autor não identificado, decada 50, salinas em Macau, arq. Benito Barros 1957 2010

Minha terra não “tem palmeiras

Aonde canta o sabiá”.

Mas tem cheiro de maresia

E espumas a saltitar.

Minha terra tem sol forte

Um céu de azul anil

Um clima bem variado

Um vento bem varonil.

 

Sinto-me raiz da terra

Quando lá vou passear

Visualizo o aterro

E o cheiro que emana de lá.

Meu coração se dilata

Parece querer guardar

Aquele cheiro tão acre

Muito próprio do lugar.

 

Sou testemunha do tempo

Hoje resta-me lembrar

Um passado tão presente

E as lembranças de lá.

Passeando pelas ruas

Paro e fico a meditar

O meu tempo de criança

Só me resta recordar.

 

Dizem que é uma ilha

Disso não sei falar

Mas tinha a entrada mais linda

Nunca vi noutro lugar.

Meu olhar se deslumbrava

Com tanto sal a brilhar

De uma brancura tão densa

Que encandeava o olhar.

 

Obra dos trabalhadores

De sua força braçal

Não havia tecnologia

Era tudo artesanal.

O sal todo em pirâmides

Mais parecia um cristal

Que belo cartão postal

Tinha minha terra natal.

 

Hoje, nada disso existe

E fico triste só em pensar

Que o homem mais uma vez

Mudou tudo de lugar.

O progresso foi chegando

Tudo se modificou

Era o melhor prá cidade

Assim falava o doutor.

 

Mas nada foi preservado

O povo se acomodou

Ficaram as recordações

Assim o tempo passou.

Mas existe um cheiro forte

Que ninguém pode apagar

É o cheiro da maresia

Que ninguém pode mudar.

Hilma Coutinho de Melo, em 01/11/09.

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