Leonardo Heydmann Barata [Organizador]

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Obra: Coleção Documentos Potiguares – vol. 16,  José Augusto Bezerra de Medeiros, Direção Leonardo Heydmann Barata, 1984. Fundação José Augusto, Natal [RN]/Senado Federal, RJ, 1984. Nos idos de 1924 – Mensagem do Governador José Augusto  – Congresso Legislativo – 01/11/1924 Sal – Da importância do sal na economia geral do Rio Grande do Norte não é preciso falar. Sabemos que as nossas salinas são das maiores do mundo, e que o produto por elas fornecido é rico em cloreto de sódio, conforme atestam as analises químicas até agora procedidas. O quadro seguinte demonstra o número de salinas que possui o Rio Grande do Norte e a área por elas ocupada:

Salinas construídas em funcionamento:

Municípios Nº de salinas Nº de baldes Área ocupada pelos mesmos (área de cristalização)
Macau 15 594 1.242.252 mqs
Mossoró 10 391 1.141.012 mqs
Areia Branca 14 349 840.070 mqs
Canguaretama 6 118 158.864 mqs
São Gonçalo 4 57 88.737 mqs
Açu 1 14 33.600 mqs
Total 50 1.523 3.504.535

Salinas em construção:

Municípios Nº de salinas Nº de baldes Área ocupada pelos mesmos (área de cristalização)
Mossoró 1 100 225.000 mqs
Macau 2 89 182.400 mqs
Areia Branca 3 31 71.080 mqs
Canguaretama 1 10 11.200 mqs
Total 7 230 489.680

Conforme se vê, há no Estado 50 salinas construídas e em funcionamento, contando 1.543 baldes ou cristalizadores que ocupam uma área de 3.504.535 metros quadrados, e sete salinas em construção com 230 cristalizadores, ocupando uma área de 489.680 metros quadrados. Estas salinas são distribuídas por seis municípios, ocupando o primeiro lugar o de Macau, e o último o de Açu, com uma única salina.

Com tais elementos deveríamos dominar inteiramente no fornecimento do sal pelo menos todo o mercado interno do Brasil, o que infelizmente ainda não sucede, em parte por dificuldades do transporte e, em parte, força é confessá-lo, porque o nosso sal se apresenta muitas vezes com uma considerável percentagem de cloreto de magnésio, que o torna indesejável para a aplicação na indústria do charque. Os esforços do governo do Estado estão sendo empregados, com o maior carinho, no afastamento daquelas duas grandes barreiras. Junto às empresas de transporte tenho me empenhado, e continuarei a fazê-lo cada vez mais, para que reduzam os fretes cobrados pela condução daquele nosso produto, que os não suporta senão baixos e reduzidos. Quanto à melhoria do sal, que pode e deve ser conseguida no momento mesmo do seu fabrico, comissionei o nosso conterrâneo, químico-industrial Raul Caldas, com estudos especiais sobre a matéria, para examinar a questão com vagar e, em colaboração com os diretamente interessados na solução do caso, sugerir os meios conducentes àquela finalidade.

Dos estudos até agora feitos pelo químico Raul Caldas resulta a convicção em que ele está de que poderemos em breve produzir sal em condições de afastar totalmente, pela excelência de sua qualidade, o similar estrangeiro.

O Dr. Raul Caldas reputa indispensável a criação do serviço do sal, compreendendo:

1) o registro das salinas, para o qual cada salineiro enviará uma planta da sua propriedade;

2) uma salina-modelo, onde se fabricará o sal por processo racional e onde se prepararão feitores capazes;

3) a fiscalização sobre a exportação, estabelecendo-se os tipos de sal de acordo com as necessidades dos respectivos mercados e fins a que é destinado o produto.

O Serviço do sal, conhecendo todas as salinas pelos respectivos registros, indicará ao salineiro as modificações úteis a introduzir em suas propriedades. Além das demonstrações práticas feitas na salina-modelo aos seus alunos, as quais serão franqueadas a todos os interessados, o Serviço fará distribuir folhetos escritos em linguagem ao alcance de todos sobre os métodos racionais relativos à indústria e procurará dar uma organização sistemática à exploração das salinas, introduzindo aos poucos um sistema de real valor, como seja, por exemplo, o sistema Taylor.

Diz o Dr. Raul Caldas que as pesquisas já feitas demonstram que não há constância na composição do produto das diversas salinas, havendo até numa mesma salina tipos de sal tão diversos como se tivessem origem em regiões completamente diferentes. Assim é que se encontram produtos de salinas vizinhas, e até de uma mesma salina, contendo mais de um por cento de cloreto de magnésio e quase um por cento de sulfato de magnésio e outros com os mesmos sais em proporções muito menores e (isto muito raramente) apenas com traços destes dois compostos. Isto indica que estes produtos de uma mesma região apenas não procedem de condições idênticas, o que quer dizer que devemos unificar os processos conforme as condições naturais que nos são dadas e que para nós são as melhores que se podem encontrar na face da terra. Cumpro aqui o dever de assinalar a importância dos serviços que vem prestando à industria do sal de nosso Estado o nosso conterrâneo professor Manoel Tavares Guerreiro, que, residindo atualmente no Mato Grosso, tem feito uma constante e tenaz propaganda do nosso produto por meio os mais inteligentes e eficazes, muito concorrendo para acreditá-lo e conceituá-lo naquele grande centro de consumo.

- Na minha recente visita aos Municípios de Areia Branca e Mossoró, tive a satisfação de lançar os fundamentos de uma salina-modelo, em terreno cedido pelos adiantados salineiros, os irmãos Oliveira, e de acordo com os planos traçados pelo Sr. Dr. Raul Caldas”.

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