Porto- Ilha: em Macau, nem navios ficamos a ver, mesmo com o alerta do Professor Aziz Ab’Saber.

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Imagem google, 2010, Constremac.com.br

Porto- Ilha: em Macau, nem navios ficamos a ver, mesmo com o alerta do Professor Aziz Ab’Saber.

Foto Seu Santos, decada 60, rebocador com as barcaças de sal para embarcar nos navios no Lamarão, arquivo: Getulio Teixeira

Na obra o Porto Continental de Areia Branca, editada pela Coleção Mossoroense, Série C, Volume XXI, 1967, páginas 64 a 66, o Professor Aziz Nacib Ab’Saber, que dispensa apresentação, instado a opinar sobre a construção de um porto para o embarque do sal do Rio Grande do Norte, diz o seguinte: “Atendendo ao pedido de V. Exa. no sentido de um parecer meu sobre o problema de uma prioridade eventual para a construção de um porto salineiro no litoral do Estado do Rio Grande do Norte, com prazer envio a síntese das ideias e observações que me ocorreram, com referências à questão. Tais indicações, de ordem puramente geo econômica, eu as faço, com base em minhas pesquisas geográficas no nordeste e, secundariamente, baseado na bibliografia da “geografia do sal” no Brasil. 1] no caso de se dispor de apenas de recursos financeiros para a construção de um porto, eu indicaria duas alternativas, relacionadas com o tipo de porto previsto pelos técnicos do Governo.
A] se o plano de construção envolver tão somente a ideia de um equipamento portuário simples [de tipo teleférico], para atender precipuamente ao escoamento da produção salinífera, todas as circunstâncias geográficas, falam em favor da área de maior produção, ou seja no caso, a cidade de Macau.

Foto google, 2011, Barcaça de sal para o Porto-Ilha. cordeiro-neto.fotos

B] Se os recursos financeiros e os planos técnicos se encaminharem no sentido de construir um porto de equipamento mais completo e múltiplo, suscetível a atender ao mesmo tempo ao escoamento da produção de sal e de atender a outros tipos de comércio e cabotagem, todas as circunstâncias indicam a cidade de Areia Branca, pois tal tipo de instalação portuária iria atender aos interesses fundamentais do oeste potiguar, ou seja da importante região geo econômica controlada por Areia Branca – Mossoró.  2] Entretanto, a despeito de tais indicações específicas, pessoalmente entendemos que uma solução mais duradoura e lógica, poderia ser encontrada, caso desde o início já se planejasse e se iniciasse, simultaneamente, a construção de um porto de tipo continental em Areia Branca e um porto de tipo teleférico em Macau. Com isto se atenderia plenamente aos interesses do maior parque salineiro do país, e aos interesses econômicos e sociais de uma importante parte da hinterlândia do Nordeste Ocidental [Oeste do Rio Grande do Norte, norte noroeste da Paraíba, sudeste e leste do Ceará]”.

Foto Getúlio Moura, 2008, Alcanorte, arquivo: Getúlio Moura

Em 1974 a Termisa – Terminal Salineiro de Areia Branca começou a funcionar. Era o Porto Ilha em Areia Branca embarcando o sal de Macau. Talvez o fato da organização sindical dos marítimos em Macau no pré-64 ter sido mais forte, pesou para a ditadura optar por Areia Branca matando qualquer renascimento do portuários de Macau. Ou será que foi mais uma vez a elite política mossoroense a levar a obra para a área de sua influência? Ou foi os dois fatores? O certo é que Macau ganhou duas mamadeiras que estão lá na entrada do istmo – aquelas estranhas torres de carbonatação da natimorta Alcanorte, que não gerou emprego e renda para o povo de Macau.
De Claudio Guerra para o baú de Macau

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