INDA – Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário

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Obra: O Pôrto Continental de Areia Branca; Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário; Coleção Mossoroense; Série C; Volume XXI, 1967; Rio de Janeiro.

De como a elite política mossoroense tirou o Porto-Ilha de Macau – Texto de Claudio Guerra, em julho de 2009 para o jornal Folha de Macau.

Leio na coluna, Hoje na Economia do jornalista Marcos Aurélio de Sá, [JH 2ª ed. 30/6/2009] que o Secretário estadual do Desenvolvimento Econômico liderou uma delegação de empresários e políticos na visita à área que deverá abrigar mais um porto no município de Areia Branca. Diz o jornalista que o projeto, em fase de elaboração, beneficiará o escoamento de produtos do setor mineral oriundos da região e que os investimentos serão custeados por uma empresa privada, o Governo do Rio Grande do Norte e a Prefeitura de Areia Branca. Será o segundo porto do município que já conta desde 1974 com o Porto-Ilha, exclusivamente para o embarque de sal. Falo sobre o assunto para destacar que esse fato diminui em muito a chance de Macau vir a ter um porto. É o preço que a região paga por ser a terra de ninguém. De Macau, deputados e senadores só querem os votos e nada mais. E quando contraditados por não fazerem nada pela cidade, afirmam que já pagaram “em dinheiro” os votos que conseguiram aqui. E não estão mentindo. Em toda a eleição, um sem número de “cabos eleitorais” negociam os votos dos macauenses. É um mercado espúrio e sem fronteiras éticas e morais. Negocia-se até a alma do cidadão. O assunto também me remete a uma pequena obra da Coleção Mossoroense, série C, Volume XXI, cujo título é “O Porto Continental de Areia Branca”.  A publicação, de 1967, do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário, mostra como a elite mossoroense daquela época conseguiu levar o porto-ilha para Areia Branca, quando as condições técnicas indicavam que ele deveria ser construído em Macau. A avaliação foi do Doutor Aziz Nacib Ab’ Saber, cientista e professor emérito da USP, presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, detentor de vários prêmios, inclusive internacionais, em distintas áreas do conhecimento, referência principal em assuntos relacionados a impactos ambientais e meio ambiente, e como conhecedor do Rio Grande do Norte, seus estudos foram decisivos para confirmar a existência de petróleo na Bacia Potiguar. Diz o Doutor Ab’ Saber na citada obra, que “se o plano de construção envolver um equipamento portuário” para atender exclusivamente o escoamento da produção salineira, “todas as circunstâncias geográficas” levam a construção para a “área de maior produção”, no caso Macau. Desde aquela época [1963] até os dias atuais, Macau lidera a produção de sal no Rio Grande do Norte. Não se pode duvidar da capacidade da elite política de Mossoró em arrastar para a região, desde o sempre, tudo o que poderia ser em Macau. Nunca. Eles são capazes de mais coisas do que nós podemos imaginar. Ao tempo em que elevam substancialmente a auto estima do mossoroense com a história de ter “botado Lampião prá correr”, contratam agências de publicidade para mostrar na tv um povo feliz.  E mesmo que a dengue, o calazar e a tuberculose [doenças reconhecidamente da miséria e da falta de governo] infernizem a vida dos mossoroenses, estes são mostrados na tv felizes “pinotando” e cantando o “adoro Mossoró”!

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