Homero Costa

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Obra: A Insurreição Comunista de 1935 – Natal – O Primeiro Ato da Tragédia; Autor: Homero de Oliveira Costa; Cooperativa  Cultural UFRN; Editora Ensaio; 1995; São Paulo[SP]; ISBN 97 88585 66925 6. Leia no Fundo do Baú: sobre o episódio em Macau.- Orelha do livro do professor Celso Frederico, da USP – O ‘assalto aos céus’, tentado pelos revolucionários comunistas, em 1935, ganha agora, neste livro de Homero Costa, um novo tratamento.

A insurreição teve, até recentemente, uma fortuna critica que não fez jus à ousadia daqueles bravos militares. Não me refiro, certamente, às monótonas e burocráticas ‘comemorações’ da ‘Intentona’, que, infalivelmente, todo dia 23 de novembro eram feitas nos quartéis durante a ditadura militar. Importa assinalar tanto a cortina de silêncio do Partido Comunista quanto as interpretações tendenciosas e errôneas levantadas pela historiografia.

O presente livro insere-se no movimento renovador iniciado pelos estudos de Marly Viana e Paulo Sergio Pinheiro, acrescentando a eles novas angulações e até corrigindo algumas imprecisões, dado o caráter localizado e minucioso da pesquisa.

Vasculhando os autos do Tribunal de Segurança Nacional, Homero Costa concentrou sua atenção basicamente na cidade de Natal, ponto nevrálgico da insurreição. Assim fazendo, pôde reconstituir as forças operantes no interior da vida social: a crise das oligarquias locais, o papel desempenhado pelos representantes do movimento tenentista alçados à condição de interventores, a organização do Partido Comunista e da ANL, os ensaios de guerrilha rural e, principalmente, a situação específica vivida pelos militares do 21º Batalhão de Caçadores de Natal – o quartel-general da revolta. Com esse referencial empírico – que põe em primeiro plano o cenário real do drama – Homero Costa transcendeu as tradicionais limitações da historiografia, condenadas a ver em tudo o ‘dedo de Moscou’ ou a ‘infiltração policial’.

O grande mérito deste livro é fazer reviver o contexto particular em que se desenvolveu  o drama de 35, com seus personagens, militares e civis, jogando-se de corpo e alma naquele heróico episódio de nossa história social. Sessenta anos depois, Homero Costa oferece ao leitor um relato apaixonante da ousadia daqueles combatentes ensandecidos pelos ideais de justiça social e entregues ao fogo do combate para construir uma nova forma de sociabilidade. Revisitando a complexa trama dos acontecimentos que propiciaram o levante, acompanhando os passos de seus personagens, reconstruindo com detalhes as variáveis políticas em jogo, o autor reconstitui vivamente aquele episódio épico da história brasileira contemporânea.

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