Que Natal é esse?

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Foto Alex Gurgel, 2011, moradores do lixão de Macau, arq: macauemdia

E chega o natal, a festa máxima dos cristãos. A poeta Hilma Coutinho de Melo, como cristã, faz suas reflexões, uma oração sobre o males da nossa sociedade ocidental.

Outro mundo é possível? Sim, outro mundo é possível sem a ganância, o ego inflado do egoísmo e a

melhor divisão da riqueza. A distância entre os que tem muito e os que não tem nada é muito grande. O Brasil ainda é o país mais desigual do mundo. Macau, apesar de toda a riqueza do sal, pescados, petróleo e gás ainda é uma cidade de grande pobreza. Sem melhor divisão da riqueza continuaremos por muitos anos com a indagação desta canção desesperada da poeta Hilma:

 

Que Natal é esse?

 

Quisera Senhor que nesse Natal, eu não ouvisse o choro das mães,

por terem perdido os seus filhos.

Quisera Senhor que nesse Natal, eu não ouvisse o choro dos filhos,

por terem perdido seus pais.

Quisera Senhor não ouvir o choro dos que estão com fome.

Que nesse Natal o meu coração não dilacerasse de mágoas e dores,

por eu saber que existe tanta maldade, tanta perversidade,desigualdade e injustiça social.

Quisera Senhor, que nesse Natal e sempre houvesse paz, harmonia,

amor, e confraternização entre os Homens.

Pai, porque seres tão pequenos e indefesos na maioria das vezes são escolhidos para

retratarem a miséria e a flagelação humana?

Que Natal é esse?

Quisera Senhor, não ter que ouvir o grito de uma criança dizendo: “olhem prá mim”.

“Olhem prá mim”… será que só mereço o cimento frio das calçadas,

o esconderijo dos viadutos,

mendigar um pedaço de pão,

ser excluído da escola,

lavar para-brisa de carros

praticar pequenos furtos,

cheirar cola ou me drogar?

“Olhem prá mim”… é justo, não ter objetivo de vida,

não ter laços afetivos com a família,

achar que já vivi tanto e que a vida é apenas o hoje, o meu momento?

“Olhem prá mim”…

Não tenho um lar.

Não mereço crédito, ( quem acreditaria ? ).

Não tenho roupas nem calçados, (sou sujo e maltrapilho).

Não tenho Certidão de Nascimento.

Não passo de um número há mais na estatística.

Não sou um cidadão.

Quem sou EU ???

“Olhem prá mim”. . .

Sou apenas uma criança.

Sou produto de uma sociedade injusta.

NINGUÉM, cuidou de mim.

“Olhem prá mim “. . .

Aqui, pertinho de você estou EU, triste, com fome, com frio, solitário, esquecido, a

lhe perguntar.

“Que Natal é esse??? . . .

 

Hilma Coutinho de Melo

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