Se me distancio, perco-me. É a poesia de Marise Castro

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Obra: Habitar teu nome; Autora: Marise Castro; Una, 2011, Natal-RN;

“Inútil buscar as raízes da poesia de Marise Castro em alguma das inúmeras escolas poéticas modernas ou contemporâneas. A poesia que ela escreve desde sempre e cujo percurso começou com a publicação, em 1984, de Marrons Crepons Marfins, de sugestivo título simbolista, não é suscetível de qualquer compromisso poético afora aquele que dita sua própria fabulação. De certa forma, trata-se de uma poesia “pétrea”, que se alimenta de sua própria substância interior de onde extrai um inesgotável repertório de variações. Libérrima, portanto”.

Texto da orelha por Nelson Patriota

 

se me distancio [p. 26]

 

se me distancio, perco-me

em mar aberto, acerto-me

 

furtiva, saúdo a morte

 

para me tornar oásis

falta-me sorte

 

entre espectros, sou alegria

a loucura é minha bússola

 

única guia

 

se me aproximo, atinjo-me

asas me faltam, mas voar

é meu agasalho

 

– meu mais crível lastro