Resgate da memória da verdade: direito histórico, um dever do Brasil.

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Obra: Resgate da memória da verdade: um direito histórico, um dever do Brasil.

Publicação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da Republica. Brasília, 201.

 

Apresentação de Maria do Rosário Nunes, Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República [ excerto – p. 5 e 6]

 

O ano de 2011 representa um marco na história democrática do nosso país. Depois do movimento das Diretas Já, em 1985, da Assembleia Nacional Constituinte e da promulgação da Constituição Cidadã de 1988, agora conquistamos um importante instrumento de resgate da memória, que é a Comissão Nacional da Verdade. Cabe ressaltar, no entanto, que esse é mais um capítulo de um livro que não tem fim, afinal de contas a democracia é escrita e aperfeiçoada cotidianamente. Estamos otimistas com o trabalho inédito que esse colegiado fará para examinar e esclarecer as graves violações de Direitos Humanos praticadas entre 1946 e 1988 em nosso país, período que inclui as tristes e ainda misteriosas páginas da ditadura militar. Trata-se do período histórico entre duas Constituições, marcado por fortes turbulências políticas, como o golpe que interrompeu o mandato do presidente João Goulart ou, ainda, as motivações e os responsáveis por orquestrar a cassação do deputado Rubens Paiva – até hoje desaparecido para seus familiares e para todos os brasileiros e brasileiras – bem como de tantos outros que a ditadura cassou, calou, torturou, matou e fez desaparecer. Não há dois lados a serem investigados, porque a dívida histórica que se tem é unilateral. De um lado, tivemos o Estado que perseguiu, torturou e matou pessoas que divergiam do sistema. De outro, a sociedade que sofreu a opressão de um regime ditatorial. Essa Comissão, portanto, servirá para o esclarecimento das violações de Direitos Humanos cometidas pelo Estado brasileiro, que deve respostas e um pedido público de perdão. Maria do Rosário Nunes, Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

Foto: E. Vale, 1940, Macau, carregamento de uma barcaça de 100 ton, do livro A Industria Extrativa do Sal... de Dioclécio D. Duarte.

Macau na Comissão da Verdade: Em Macau, foram muitos trabalhadores perseguidos e torturados desde 1946. Lutavam por dignidade, por uma vida melhor para seus filhos. Muitos macauenses não perceberam o jogo sujo do poder, divulgado por um mídia forte e só com uma versão dos fatos. É a mesma mídia que faz maldades até hoje, como por exemplo a TV Globo que recentemente fez uma grande reportagem sobre o sal no Rio Grande do Norte e não tocou no nome de Macau, que sempre foi o maior produtor de sal do Brasil. A Comissão da Verdade não tem cunho de revanche, de vingança, mas é fundamental que saibamos quem foram os torturadores dos patriotas brasileiros – muitos macauenses – e onde estão os restos mortais daqueles que foram assassinados a mando da ditadura. É necessário saber as circunstâncias de tudo. Isso é fundamental para que nunca mais haja tortura e assassinato de brasileiros. De Claudio Guerra para o baú de Macau.

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