Dos trabalhadores, por Dioclécio D. Duarte

Foto E. Vale, 1940, Salina do Conde, de propriedade do Conde Pereira Carneiro, do livro A indústria extrativa do sal... de Dioclécio D. Duarte

Da obra A industria extrativa do sal e sua importância na economia do Brasil, de Dioclécio D. Duarte, editada pelo Serviço de Informação Agrícola do Ministério da Agricultura, em 1941.

 

Dos trabalhadores [ p. 21]

 

Ainda hoje a situação é de penúria contínua. O sal, apesar das nossas formidáveis possibilidades e de constituir um elemento indispensável à existência e ao progresso dos indivíduos, não encontra meios fáceis de transporte, determinando isso grandes prejuízos.

Nenhuma indústria deve merecer maior atenção dos poderes públicos do que essa. A contribuição prestada à economia nacional vem desde a Colônia. A sua importância como vimos, é incontestável. Entretanto, nenhuma tem sido tão desprezada. Indústria genuinamente brasileira, é uma dádiva generosa da natureza. O sol, a terra, as águas, os ventos, os caboclos, fortes, resistentes a tudo, de epiderme queimada e pés e mãos sangrando ao contato dos cristais, são os trabalhadores do sal. Gente rara e indomável. Os ombros crescem e se enrijam. Toma o andar uma feição única. O caboclo das salinas do nordeste é, ao mesmo tempo, agricultor e pescador. Na época das chuvas corre para a vida rural e ali emprega os recursos economizados durante os trabalhos do verão. Cerca de 40.000 pessoas dependem da exploração salífera, somente nos municípios de Mossoró, Areia Branca Assú e Macau. Essa população assim abandonada contribue, anonimamente, para a União, tomando por base a produção de 300.000 toneladas anuais, com a soma de 9.000 contos de réis, proveniente do imposto do consumo. Ao Estado, com 1 962:000$000, e aos municípios, com 420 contos.