Benito Barros e o Almanak de Macau – 1909

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Quando fumar era uma arte. Propaganda no Almanak de Macau em 1909

Benito aguardou 1999 e no centenário do Almanak de Macau – 1909, editado por Adalberto Amorim, fez a republicação contribuindo com a memória da cidade. Não! Nem a Prefeitura de Macau e nem a Câmara de Vereadores de Macau tiveram a iniciativa. Eles estavam preocupados com seus problemas pessoais, pois nunca ligaram muito à comunidade e muito menos ainda à história de Macau. Para eles, quanto menos história melhor. Ainda hoje é assim. Na nota explicativa, Amorim informou “Enriquecido com as biographias e retratos dos saudosíssimos rio-grandenses Senador Pedro Velho e Padre João Maria, contendo uma brilhante parte literária e charadística; a Constituição do Estado e orçamento do Município de Macau para o corrente anno; caprichosa parte de annuncios commerciaes e muitas matérias de utilidade geral”. Pois bem eram os começos da República e o pensamento era aquele da “res pública”, e ainda se divulgava a Constituição e pasmem, o orçamento do município! Hoje, o orçamento do município de Macau e da Câmara de Vereadores são duas caixas pretas. Porque não divulgam mês a mês na internet o dinheiro recebido e como ele é aplicado? Bem, mas voltemos ao Almanak, porque tudo com Benito tem uma história, trágica ou cômica, como quiserem. Foi uma coedição da Imperial Casa Editora da Casqueira e do Sebo Vermelho. Foi a 15ª obra editada pelo Sebo Vermelho do Abimael que hoje já ultrapassa 300 publicações, resgatando obras importantes da literatura potiguar. Nem o Estado do Rio Grande do Norte fez tanto! A reedição trouxe uma primorosa apresentação do escritor e jornalista macauense Vicente Serejo. Pois bem, poderia encerrar aqui não fosse o que ocorreu após a publicação. A edição foi fac-símile, ou seja, uma cópia da edição de 100 anos, com todos os problemas: qualidade do papel, da impressão e da conservação do original. Penso que Benito não levou isso em conta e quando, sob o clima de forte expectativa e ansiedade recebeu os livros em Macau, ficou possesso. Não estava como ele esperava. Benito exagerou. O livro pode ser lido do começo ao fim sem prejuízo. O primeiro palavrão que disse, os amigos sabem. Abriu os pacotes, deu uma geral por amostragem chamou um mensageiro e disse: – Vá agora na gráfica e mande cortar todos estes livros ao meio! Esculhambou o Abimael a quem jurou nunca mais dirigir a palavra. Não cumpriria, Benito não era de guardar mágoas. Anos depois, conversando com Abimael, ele me contou a outra parte da história. Benito, reconhecera o exagero e pedira desculpas a Abimael.      De Claudio Guerra para o baú de Macau

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