Descendentes de Martins Ferreira – 2

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Os caminhos de Manoel Alves Martins

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)

Professor da UFRN, sócio do INRG e do IHGRN

A nossa presença aqui, na Terra, se dá através de uma corrida de revezamento, onde os ancestrais passam para os descendentes a chama da vida. A grande maioria das pessoas não se dá conta dos obstáculos que seus antecessores enfrentaram para passar essa chama. É preciso que valorizemos mais aqueles que nos antecederam. Vamos exemplificar por meio de Manoel Alves Martins.

Em 1871, ele já era órfão de sua mãe, Francisca Martins de Oliveira, quando perdeu seu pai, José Alves Martins, que tinha, nessa data, exatos 40 anos. Manoel tinha apenas quatro anos de idade, e era o mais novo de nove irmãos. A tarefa de educá-los coube ao seu tio Manoel José Martins, e a esposa deste, Prudência Teixeira Martins, que moravam, também, como José Alves Martins, em Cacimbas do Vianna.

Aos dois dias do mês de outubro de 1885, na Cidade do Assú, se apresentou, mais uma vez, Manoel José Martins para prestar contas dos bens do seu tutelado Manoel. Na oportunidade declarou ter seu sobrinho, naquela data, dezoito anos, e que teve a educação precisa, como saber ler, escrever e a doutrina cristã. Disse mais que Manoel esteve por dois anos na Cidade de Macau para praticar como caixeiro, não recebendo do seu patrão ordenado, mas roupa e alimentação. Disse mais, que o patrão ia começar a pagá-lo, mas Manoel desistiu, não se sujeitando a ser caixeiro e regressou para Cacimbas de Vianna e achava-se em sua companhia.

Descreveu os bens existentes na data supra que eram: duas éguas, uma mula de ano, uma poldra, quatro vacas, dois bezerros, um boi, duas garrotas e um garrote; Deu notícia do que vendeu nesse período e, também, das despesas com roupas, dízimos de gado e alguns objetos necessários ao uso de Manoel Alves Martins.

No dia quatro de dezembro de mil oitocentos e oitenta e oito, no Sítio das Cacimbas de Vianna, termo da cidade do Assú, presentes o tutor Manoel José Martins e Manoel Alves Martins, agora emancipado, por contar 21 anos, foi feita nova prestação de contas.

Dos bens do tutelado constavam cinco vacas, três garrotes, dois bezerros, três éguas, uma poldreta, uma mula, e um poldrinho. Havia mais trinta mil réis, produto de uma novilha de vaca que se vendeu.

Havia ainda por herança do pai, três pés de coqueiros na Ponta do Mel, no valor de nove mil réis; havia mais a importância de vinte mil réis, produto da venda de um garrote; mais a quantia de sessenta e dois mil duzentos e onze réis saldo da ultima prestação de contas do ano mil oitocentos e oitenta e cinco. Com relação às despesas da última prestação de contas até essa data, o seguinte: dinheiro que pagou a justiça com a última prestação de conta, como consta da contagem nos autos da mesma prestação, dezesseis mil cento e dez réis. De calçados e fazendas, a quantia de trinta e seis mil setecentos réis; de mais fazendas que o mesmo órfão comprou para o seu uso, a quantia de trinta mil réis.

Informou o tutor que Manoel se empregou. De tudo restou, em dinheiro, para o tutelado, a quantia de oitenta e nove mil e novecentos e trinta e um réis. Em 20 de dezembro de 1888 foi encerrada a tutela e Manoel Alves Martins recebeu sua herança das mãos do tio Manoel José Martins.

Voltamos a encontrar nosso personagem em 1891, já casado em Santana do Matos, com Joaquina Teixeira Martins. Não encontrei o registro de casamento de Manoel Alves Martins, mas os registros de dois dos seus filhos, na freguesia de Santana do Matos.

O primeiro filho, Manoel, nascido em dois de dezembro de mil oitocentos e noventa e um, foi batizado na Matriz de Santana do Matos a vinte e sete do mesmo mês e ano, tendo como padrinhos Delfino Alves Martins e Josefina (Emília) Alves Fernandes, esses dois irmãos de Manoel Alves Martins. Manoel Alves Martins ficou viúvo de Dona Joaquina, e voltou a casar, desta vez, com Maria Ignácia da Conceição. Em 10 de agosto de mil oitocentos e noventa e quatro nasceu desse casal outro Manoel que foi batizado na Matriz de Santana do Matos, em nove de setembro do mesmo ano, tendo como padrinhos Nossa Senhora da Dores e Manoel Francisco Cordeiro.

As esposas dos irmãos Francisco Alves Martins, Joaquim Alves Martins e Manoel Alves Martins, bem como a do tio Manoel José Martins, tinham Teixeira no sobrenome, mas não consegui descobrir se elas tinham parentesco entre si. Pelo inventário aqui citado, a esposa de Joaquim, Joanna Teixeira Martins tinha, originalmente, o nome de Joanna Lins Teixeira de Sousa. Alguns membros da família Teixeira de Sousa, com origem em Angicos e Assú, tinham fazendas em Cacimbas do Viana.

Quando adulto, o primeiro filho de Manoel Alves Martins, tinha o nome de Manoel Alves Martins Filho e o segundo, Manoel Alves Filho. O primeiro é ascendente do vereador da Câmara Municipal do Natal, Enildo Alves, e o segundo ascendente do ex-prefeito Carlos Eduardo Nunes Alves e do Ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho. O sobrenome Martins, parece ter desaparecido definitivamente dos descendentes, mas todos eles descendem de um dos fundadores de Macau, o capitão João Martins Ferreira, e da sua esposa Josefa Clara Lessa.

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