Memórias do Escotismo 6 – Socorrer os enfermos

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Da obra: 25 anos depois, de Padre Penha, editada em 1983

Foto Seu Santos, década 60, Acampamento dos escoteiros na Fazenda de Zé Coelho, arq. José Arimatéia Gomes

“Macau era uma cidade difícil. Era conhecida como a cidade do crime. Muito dinheiro, pouca formação. A vida era essa: ganhar dinheiro e estragar. Bebidas, farras, cabarés. … Muita gente morria por falta de recursos médicos. Não havia hospital. Não existia ambulatório. Dr. Luiz Evangelista, era o único médico do lugar. Apesar de se dizer ateu, fazia milagres. Vi uma vez amputar uma perna de um, realizar a melindrosa operação num esfaqueado a sangue frio, na base da anestesia; “ai meu Deus!” … Outros médicos vieram depois: Dr. Antonio Machado, Dr. Nagib, Dr. Francisco Pereira, Dr. Amaury. Mas de início era só Dr. Luiz. Vidas poderiam ser salvas se houvesse socorro. Numa reunião discutimos o assunto e saímos dali decididos a adquirir um ambulância. Não foi difícil. A ideia encontrou acolhida no povo. Principalmente entre os operários da CCN. E uma ambulância foi comprada. … Quando a ambulância apitava a qualquer hora da noite, já se sabia que os escoteiros estavam em atividade tentando salvar um vida. Alguns escoteiros classificaram o seu tipo sanguineo. E quando a ambulância partia para Natal com um baleado ou esfaqueado, ou ainda vítima de desastre, já levava também um escoteiro doador de sangue. No Hospital das Clínicas, no Médico Cirúrgico em Natal, já era conhecida a ambulância dos escoteiros quando chegava quase todas as noites. … Quantas vidas foram salvas pelo trabalho desses jovens escoteiros. Arimatéia, Edson Dantas, Zé Pinheiro, Tarzan e outros tantos”.

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