Algumas anotações sobre o Pastoril

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Para Câmara Cascudo os pastoris representavam a visita dos pastores ao estábulo de Belém, ofertas, louvores, pedidos de benção. Os grupos que cantavam vestiam de pastores, e ocorria a presença de elementos para uma nota de comicidade, o velho, o vilão, o saloio, o soldado, o marujo, etc. Os pastoris foram evoluindo para os autos, pequeninas peças de sentido apologético, com enredo próprio, divididos em episódios, que tomavam a denominação quinhentista de jornadas e ainda a mantêm no nordeste do Brasil. Para essas representações convergiam assuntos de outros autos e mesmo de bailes tradicionais, reisados, janeiras e as velhíssimas pastorais, que eram apenas o canto uníssono diante do presépio, de um grupo fingindo ou sendo mesmo de pastores. [Dicionário do Folclore Brasileiro de Câmara Cascudo, Ediouro, 1972].

Recente matéria para o caderno Cultura do Jornal de Hoje de 23/1/2012, Lenilton Lima e Sephora Bezerra, destacam o fato da dança não ter evoluído – observação de Mário de Andrade na década de 30 – e ficado circunscrito ao nordeste brasileiro. É uma dança de grande teatralidade e que vai acrescentando elementos diversos passando de dança religiosa para dança profana, observam.

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Em Macau, parece que a dança não perdeu o seu caráter religioso. Era apresentada nas festas da igreja, num tablado construído especialmente para a dança onde dançavam dois grupos de pastoras, [os cordões], de jovens adolescentes, um grupo vestidas de azul e outro grupo vestidas de vermelho, [encarnado], entre eles a Diana, a mediadora dos cordões.

Maria do Rosário lembra-se do Pastoril nas décadas de 60 e 70, organizado por Cosme, que entrava cantando:

Chegou o velho Cosme que estava faltando…

Lembra-se também de mais um elemento do pastoril, a borboleta, que era representado por uma adolescente mais nova, menor que as pastoras e que vinha com asinhas de borboleta de armação de arame e papel celofane. Ela entrava na dança pela canção entoada pelas pastoras:

Borboleta bonitinha, venha cá prô meu roçado

Venha festejar conosco esta noite de Natal!

A borboletinha entrava cantando:

Eu sou uma borboleta

Eu sou bela e feiticeira

E eu ando pela rua

procurando quem me queira.

Em Macau existia a Rua do Cordão Azul, hoje Rua Pereira Carneiro, e a Rua do Cordão Encarnado, hoje São José, conforme Macauísmos, de Benito Barros.

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Da equipe do baú de Macau.