Um rio na vida dos meninos de Macau

0

Das recordações do macauense Getúlio Teixeira

Foto Claudio Guerra, 1982, o menino e o rio-maré: rampas; arquivo; o baú de Macau

Em Macau o rio-maré sempre foi mais presente na vida dos macauenses que o mar.  Delta do rio Açu que vai alargando desde o aterro até o litoral transformando-se em rio-mar.  É assim, salgado e doce. Um rio do dia e da noite dos macauenses, com as barcaças que vinham buscar o sal; as barcaças que vinham deixar mercadorias nas rampas; os barcos aguadeiros tão ansiosamente esperados na rampa. Um rio que levava os pescadores para o alto mar. Era assim, um rio que estava no dia a dia do macauense, ora seco, crôas de fora, ora cheio, o mar lavando os trapiches. E era também o lazer dos meninos de Macau. Quem conta é Getulio Teixeira. A brincadeira de mancha consistia em atirar um objeto no rio e ganhava aquele que conseguisse apanhá-lo antes dele ir ao fundo; outra brincadeira era a de saltar dos mastros dos iates. Ancoravam ali o Barroso, o Ricardo e o Upanema dentre outros. E lá iam os meninos a desafiar uns aos outros. Dipoza e Zito de Ceará eram imbatíveis. Outra brincadeira era disputar a nado a travessia do rio-maré. Do lado de lá a ilha de Santana, rio largo, travessia difícil e só para quem nadasse bem. 

Foto autor não identificado; decada 60; barcaças no rio-mar; arquivo: Professora Anaíde Dantas

Outra brincadeira consistia em pendurar-se nos cordoames dos mastros das barcaças e mergulhar no rio-maré.  No chamado Quebra-mar, depois da salina da Cirne, atravessando dunas enormes, só mesmo aos domingos para se bronzear e ver as meninas de maiô. O Quebra-Mar era longe naquele tempo, diz Getulio.  

Da equipe do baú de Macau

Deixe uma resposta