Os currais de Macau – Velhos Costumes

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Da Macau ainda rural, as belas lembranças de Getúlio Teixeira

Foto de autor não identif., década 80, Rua Padre João Clemente, o antigo curral de Luiz Bezerra, arq. o baú de Macau

Como se referiu Claudio Guerra em uma de suas publicações, bateu saudade neste arremedo de memorialista.  As vacarias existentes em Macau até meados da década de 60. Era costume de muitas pessoas de nossa cidade dirigirem-se aos currais no período da manhã ou da tarde para tomar leite cru tirado direto das tetas das vacas, como diria o burocrata “da fonte ao consumidor”. Na rua Padre  João Clemente tinha o curral de seu Luiz Bezerra comandado pelo famoso touro Babalú. O publico frequentador tinha até certa intimidade com as mimosas, as conheciam pelos nomes. Era muito comum levar os canecos, geralmente de alumínio, o açúcar e o Toddy eram embrulhados em pedaços de papel. Após adoçarem o leite, o papel era dado às vacas que os comiam, atraídas pelo gosto do açúcar. Algumas pessoas tomavam leite com um pouco de conhaque como remédio, diziam que curava gripe.  Já na esquina da padaria de Bibi, localizava-se o curral de seu Lula. O ritual era o mesmo. A partir de cinco horas da manhã já chegavam os primeiros fregueses com copos e leiteiras na mão.  No inicio do Porto do Roçado tinha o curral de Raimundo Florêncio. Funcionava onde hoje é o complexo do Colégio Ressurreição.  Quase todas as vacas tinham nome, geralmente era Quixaba, Coração, Saia Branca, Mimosa, Baleia, Manchada, Pintada, dependia de alguma característica em seu couro e o nome era aplicado.  Babalú era um caso aparte, criado desde pequeno pelas ruas da cidade, apesar de suas vinte e cinco arrobas, era totalmente inofensivo, não atacava ninguém. Tinha  hábitos interessantes, passava sempre no mercado para comer algumas frutas e toda tarde passava na padaria de Antônio Gordura para comer alguns pães que lhes eram ofertados.  A morte de Babalú chegou a causar tristeza naqueles que o estimavam.  Infelizmente foi vitima de um saco plástico mal digerido.

De Getúlio Teixeira para o baú de Macau

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