Desde Recife, a literatura de Natanael Sarmento

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Do companheiro camarada Getúlio Vargas, desde Recife, recebo  duas preciosidades literárias da lavra do escritor Natanael Sarmento que os remete com dedicatórias fraternais.  Natanael, nos seus escritos dá voz aos excluídos.  Que viva!

Obra: Perfume de Gardênia

Autor: Natanael Sarmento

Edições Bagaço, Recife, 2011

“As massas laboriosas camponesas e operárias, e também os desempregados dos campos e das cidades, apenas acumulavam reivindicações que sequer eram apreciadas. Com efeito, as elites entendiam que a questão social era um problema a ser resolvido no âmbito da polícia, portanto, não existiam demandas ou reivindicações operárias, mas badernas, ameaça à ordem pública.” P. 387

 

Obra: O Hipo  Pótamo

Autor: Natanael Sarmento

Fundação Antonio Santos Abranches, Recife, 2009

“Nem revolução, nem guerra civil de fato ocorreram. Três pessoas, apenas, inclusive o chefe do regime deposto, morreram no movimento. A primeira vítima morreu por acaso, de graça, como se diz na Ilha grotescamente.  O tipo defecava por trás de touceiras de capim macio, assustou-se com a aproximação das tropas insurretas e disparou em louca correria segurando as calças. Confundido com um espião ou sentinela avançada, foi cravejado de balas e flechas. Na falta de defunto melhor, de qualquer forma, o cagão azarado entrou na história oficial republicana na condição de combatente monarquista morto de guerra. “ p. 95