Parceria e Participação popular

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A vida é uma parceria. Eu, ao longo da minha vida fiz muitas parcerias e continuo fazendo. Umas deram certo, outras não. Mas em todas aprendi alguma coisa que me foi útil. Eu comecei uma parceria em Macau nos anos 80, talvez aí por 1985. Tinha 35 anos e no Brasil vivíamos aqueles tempos do fim da ditadura, da tenebrosa ditadura. A esperança era uma palavra que vibrava nos nossos corações. Éramos cheios de sonhos, muitos sonhos de um Brasil com justiça social, com igualdade, fraternidade e liberdade, como pregaram os revolucionários de 1789 na França. E então eu e alguns jovens estudantes secundaristas de Macau, os sempre companheiros Manassés e João Eudes, decidimos que era preciso divulgar o marxismo-leninismo. E criamos a coleção Toque-se. Não me recordo quantos números editamos, nem a quantidade, nem porque deixamos de publicar. Nada disso me lembro, mas hoje, ao buscar um texto no meu baú de Macau, deparei-me com os livretos mimeografados. O que me chamou a atenção ao reler o que escrevemos num deles é de certa forma desanimadora para hoje. Num dos parágrafos, afirmamos: “No Brasil, na atual conjuntura política, as eleições constituem-se – como em qualquer democracia burguesa – numa verdadeira farsa e engodo leviano, manipulações vergonhosas de compra e venda de votos por parte da burguesia e de seus representantes que controlam as finanças do país e submetem o povo trabalhador às piores humilhações.” São quase trinta anos e continua atual. O tempo passou e pouca coisa mudou com as eleições. Os votos continuam comprados e as eleições manipuladas na maioria dos municípios. Votamos, votamos e votamos e pouca coisa muda. Há saídas! Sim há caminhos novos para trilharmos. Vejam a democracia participativa na Venezuela agora reforçada com novas leis que aumentam o poder dos chamados Conselhos Municipais. Estes conselhos permitem avançar na autogestão e dividir com prefeitos e vereadores a condução do município.  A ideia é que pouco a pouco os Conselhos Municipais tenham cada vez mais poder e consigam a autogestão popular direta. Há saídas e elas apontam para a participação popular, direta, sem intermediários.

De Claudio Guerra para o baú de Macau

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