Luzes em Macau: como se iluminava até os sessenta

Do memorialista macauense e colaborador deste sítio Getúlio Teixeira

O que me lembro das diversas formas de iluminação de Macau do passado até meados da década de sessenta são as seguintes: as placas, candeeiros, lamparinas, lampiões a querosene ou carbureto, piracas e lâmpadas Coleman.

Imagem Google, candeeiro

A Placa funcionava à querosene, cujo deposito era de vidro e a parte do pavio era de metal, coberto pela “manga” que era vidro. Acoplado ao deposito existia uma haste de metal para fixá-lo na parede.

Já o candeeiro era todo fechado, em metal, a chama protegida[manga] por metal e com uma alça para pendura-lo. Era utilizado pelos marítimos e pescadores como farol de navegação.

Imagem Google, Lamparina

A lamparina foi herança vinda da Europa. As nossas, quase todas eram fabricadas artesanalmente, na sua maioria com o aproveitamento das latas de flandres que serviram de embalagens para outros produtos.

Quanto aos lampiões, tinham diversos formatos, dependiam da habilidade do artesão. A finalidade do lampião era proteger a chama do vento e assim manter a iluminação dos alpendres das casas de fazenda e de praia.

Imagem Google, Lampião da carbureto

Existia também a iluminação à carbureto. Era um deposito hermeticamente fechado, com capacidade de 1,5 ml feito com folhas de zinco e com uma tampa de bico fino onde era acesa a chama. O seu combustível era carbureto. A combustão era obtida  com a colocação de agua no recipiente, que em contato formava um gás inflamável.

Das piracas já falamos.

 

Imagem Google, Lampada Coleman

As lâmpadas Coleman, era um tipo de iluminação mais potente e de aquisição mais difícil. A lâmpada, conhecida erroneamente como lâmpada à álcool, era composta de um tanque de combustível de  600ml, uma bomba acoplada ao próprio tanque, uma camisa, a engrenagem do combustível e um tanque de 10 ml e manga.  Funcionava tendo com combustível principal o querosene e auxiliar o álcool. O álcool servia apenas para acender a lâmpada. O processo era o seguinte: Enchia-se a deposito grande de querosene, abastecia o deposito pequeno de álcool, que ficava abaixo da camisa de seda da lâmpada. Através de uma bomba existente na lâmpada, colocava-se pressão no deposito de querosene para que o combustível subisse. As lâmpadas Coleman  iluminava os bailes, os estabelecimentos comerciais, os comícios, as procissões  e outras atividades de caminhadas na cidade.

De Getúlio Teixeira para o baú de Macau