Camarada Lú

Sempre à esquerda o Camarada Lú, foto publicada no Cyber-Macau por Gustavo Cabral março de 2012

Nos ventos que foram varrendo a ditadura veio a legalização dos Partidos Comunistas e nós  fundamos o Diretório Municipal do Partido Comunista Brasileiro em meados de 1980. Comprei um prédio na Padre João Clemente a lá instalamos a sede do PCB. Foi um dos poucos Partidos a ter uma Sede organizada. O grupo era pequeno, mas combativo, e numa cidade marcada por décadas pelo anticomunismo e a perseguição implacável das lideranças trabalhistas, marcamos um tento ao elegermos o petroleiro José Araújo, vereador, com uma campanha sem os vícios da compra de votos. José Araújo foi o único parlamentar eleito pelo Partido Comunista Brasileiro no Rio Grande do Norte. Na fundação do Partido Comunista Brasileiro, o companheiro Lú virou camarada Lú [José Cícero da Silva] filiado ao PCB e sempre estava lá na Sede onde testava os novos óculos lendo os textos marxistas de letras miúdas pregados nas paredes. Era frequente a prática do Camarada Lú, porque a cada porre, lá se iam os óculos.  Depois, quando passava a bebedeira que se arrastava por meses vinha o camarada Lú a queixar-se da falta dos óculos. Uma nova lista de colaboração dos amigos e nova promessa do Camarada Lú: – Bem, dessa vez eu não vou perder não. Posso até beber de novo mais não perder os óculos! Dizia, sem muita convicção. Beberia e perderia ainda por inúmeras vezes.

Foto Claudio Guerra, 1986, Sede dos comunistas na rua Padre João Clemente em Macau, arq. o baú de Macau

Passou o tempo e o PCB virou PPS e nos largamos cada um para um lado. O Camarada Lú continuou sempre Camarada Lú, com suas histórias carregadas de humor e drama. Voltaríamos a ter um contato maior lá por 1997, 1998, o Camarada Lú como aplicado aluno [quando sóbrio] da SG – Informática, aprendendo o Word, o Excel e tudo mais. Mas aí já é outra história.

De Claudio Guerra para o baú de Macau