Soutinho – Trabalhar e Viver o Que Puder, por Chico de Neco Carteiro

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Soutinho

[*] Francisco Rodrigues da Costa

O livro Trabalhar e Viver o Que Puder, escrito por Edith Fernandes Souto de parceria com seu irmão Jacques Vidal, é de uma leitura muito gostosa. Na obra, Edite fala da simplicidade do esposo Francisco Ferreira Souto Filho. Tudo bem repassado para o leitor, principalmente para quem conhece Soutinho mais de perto. Digo isso, lembrando  meu conterrâneo, “nascido em berço de ouro”, mas que nunca pensou ser melhor que ninguém.

Para reforçar o que se conhece da simplicidade de Soutinho, eu conto um fato ocorrido  entre ele e Telé, testemunhado por mim. Isso se deu por volta dos anos sessenta. Fechavam negócio de algumas toneladas de sal adquiridas por meu irmão. “Prego batido ponta virada”, a conversa se estende um pouco sobre o comércio do produto. No encerramento do papo, Telé nota que a chave do carro do fornecedor está enfiada num daqueles clips grandes de prender papel. E, brincando, diz para Soutinho:

– Isso é coisa pra gente pobre, você não precisa disso.

Soutinho, apenas riu. Um riso que ri de coisas insignificantes. É assim o industrial destituído de vaidade. Se quisesse, até um chaveiro de ouro poderia usar.

Como disse linhas antes, o livro é de uma leitura deliciosa e me fez reviver algumas passagens de Areia Branca. Na página 92, sendo entrevistado, Soutinho fala: “Em Areia Branca não dava certo porque era muito pequena, até um telegrama que chegava o pessoal sabia primeiro dos assuntos do que eu”.

Parei um instante nesse ponto, para refletir. Conhecendo um pouco do assunto, sinto que a frase é puramente ingênua. Sim, porque no coração de Soutinho não viceja a erva daninha. Dessa forma, passo a defende o meu ponto de vista.

Morto seu Chico Souto, Soutinho viu-se obrigado a abandonar seus estudos e vir administrar os bens que eram muitos, deixados pelo pai. De repente, a preocupação com a conquista de um diploma doutoral se transformou num desafio em que dependia todo o interesse de sua família. Era muita coisa para o jovem estudante gerenciar: um comércio desafiador, além das salinas, fazendas e muitos barcos. Destes, barcaças no tráfego interno, e os iates que faziam a cabotagem nas costas nordestinas. O sal era o principal produto exportado pela firma F. Souto – Importador e Exportador – como estava escrito no frontispício do seu prédio em Areia Branca.

A movimentação dos iates era intensa. O intercâmbio comercial se dava entre diversas cidades do Nordeste como Maria Farinha, Itapessoca, São Luiz de Quitunde, além das capitais Recife e Maceió, de onde vinha o cimento, o açúcar e a madeira.

A tripulação dos iates passava de vinte a trinta dias ausente da família. Eram as viagens do leva-e-traz de mercadorias. Os mestres das embarcações geralmente se antecipavam aos representantes das empresas na comunicação telegráfica. A ninguém competia proibir os familiares dos marítimos de encher as ruas com a notícia auspiciosa do regresso dos entes queridos.

Fui entregador de telegramas a todas as firmas estabelecidas em Areia Branca, e, dessa maneira, se dava o “vazamento” de certos assuntos. Tenho a impressão que a resposta de Soutinho aos entrevistadores não passou de um impacto emocional. Na memória do jovem gestor ficara a marca da interpretação enganosa, externada num momento infeliz. Apenas, e somente isto.

Finalmente, quero felicitar dona Edith por ter biografado a vida de Soutinho. Ele, como o próprio título diz: Trabalhar e Viver o Que Puder, que contribuiu para o progresso de Areia Branca e de Mossoró, continua trabalhando feito um menino cheio de energia, criando oportunidade de sobrevivência para muitos de seus concidadãos.

[*] Francisco Rodrigues da Costa [Chico de Neco Carteiro],  escritor areiabranquense é autor dentre outras obras de Caminhos de Recordações, editado em 2010 pela Sarau de Letras de Mossoró-RN

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