O que o Complexo não tem? O Prof.Nazareno foi conferir.

Recentemente postamos neste baú indagando se o “Complexo Literário” Benito Barros possuía em seu acervo os livros do Professor Benito Barros.  O combativo Professor Nazareno foi lá conferir e nos brindou com excelente crônica, trágica e cômica revelando a insensatez de um governo só de aparências. Para o atual governo de Macau cultura é plantação de bananas.  Nesse diapasão, nós do baú de Macau somos levados a pensar que a Biblioteca do “Complexo Literário” com o nome do intelectual macauense Professor Américo de Oliveira Costa não tem os livros do homenageado e consideramos que o SESI, uma instituição séria não deveria se prestar a isso.      Da Equipe do baú de Macau

O que é que o Complexo não tem?

Tem sombrinhas de palha, tem; tem mesas de madeira, tem; tem bancos de alvenaria, tem e tem um quiosque também; tem um corrimão de cano de ferro, tem; tem uma cerca de madeira, tem. Tem salgados, refrigerante, água mineral, pavê, pudim, rocambole, mousse, brigadeiro, bolo, misto, torrada, hambúrguer natural, cachorro-quente, pipocas, chicletes e sorvetes no Complexo Literário Benito Barros, também, de acordo com o “cardápio” do quiosque Parada de Lucas…  Situado nos fundos da Escola Ressurreição está o Complexo Literário Benito Maia Barros, doravante CLBMB. O CLBMB, projetado por não sei quem das quantas, é composto por quatro espécies de sombrinhas, com bancos de madeiras, um quiosque, e mais três bancos de alvenaria com umas esculturas, de alvenaria, que o homenageado ficaria se perguntando se eram lapisfálicos ou falicolápis…  Era 27 de janeiro do ano da graça, ou da desgraça, de 2012 quando foi estrondosamente inaugurado.   Setenta dias depois da inauguração, nova visita, para confirmar uma pergunta que me perseguia desde o dia da inauguração do CLBMB. Umas funcionárias do SESI/Macau atenderam-me solicitamente. Perguntei sobre o número de títulos. A mesma resposta do dia da inauguração: “Mil”. Mil títulos ou mil volumes? Ah, é que ainda vai chegar o restante, respondeu-me a moça num misto de empatia e constrangimento…  – E quantos livros de Benito Barros vocês tem aqui?   – Nenhum… Nenhum, né?,  respondeu-me uma das funcionárias, enquanto pedia socorro às outras duas…    – Interessante, não acham? Um “complexo literário” que não tem um único volume do escritor que lhe dá o nome?  Mais que rapidamente, uma das funcionárias sacou uma desculpa, daquelas de ocasião, como se fosse possível esconder a lacuna:   – Mas aqui é “Américo de Oliveira Costa”, do SESI…  – Mas aqui diz complexo literário. A não ser que bancos de madeira, sombrinhas de palha, um quiosque, e quatro bancos de alvenaria tenham alguma coisa com literatura, e estas estantes aqui – disse apontando para as estantes dentro do módulo da indústria do conhecimento – com algumas centenas de livros, não…  A funcionária que tentara a desculpa engoliu em seco a constatação que o nome Complexo Literário, além de englobar o MICAOC, ensejava, ao menos, que o espaço destinado à leitura e ao acesso à www tivesse, ao menos, um volume  de um dos livros escritos pelo professor Benito Barros.   Nos últimos sete anos, as coisas em Macau estão tão cor de asfalto, tão complexas que a definição de Literatura e o que existe de literário mudaram. Se um dia assaltaram a gramática, agora a administração pública do município de Macau, perdoem-me os bajuladores de plantão, trata de acanalhar com a semântica.   Não é só o Galado que nos faz falta. Os seus livros também.  Não tem um único exemplar de um dos livros do Galado!  Chegarão ao complexo literário Benito Barros em 2020?

Professor Nazareno em abril de 2012