Se há livros, há esperança

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Foto Jr Palhares, 2012, Estação Ferroviária de Macau, arq. Comunidade-RN

Quando tudo parece irremediavelmente morto e enterrado, lá vem o meu amigo macauense João Eudes da Comunidade-RN, com seu otimismo panglossiano, afirmando “que tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis” e eu, apesar da descrença e dos enfrentamentos com marés de sizígias, acabo concordando com ele e concluindo que “devemos cultivar nosso jardim”.  

Dessa vez ele vem com um projeto fantástico de transformar os escombros da Estação Ferroviária de Macau numa Estação do Livro.  A ideia para João Eudes não é nova, remonta a 2005 quando foi Secretário de Cultura de Macau por alguns meses, demitido por ser “honesto demais” nas palavras dos mandantes daquele tempo. Àquela época, Secretário, iniciou o projeto da Estação do Livro, abortado quando demitido. Mesmo com todos os percalços e incompreensões  que sofreu durante sua curta passagem pela Secretaria,  foi quem mais divulgou positivamente Macau na imprensa estadual. Fora deste interregno, a cidade só apareceu e aparece na imprensa potiguar com denúncias de roubo do dinheiro do povo.

Por meio do Programa Cultural “É só pra dar um toque”, que prevê vários Atos Culturais durante 2012, a campanha será deflagrada em 23 de abril, o Dia Internacional do Livro e a idéia é inserir o projeto da Estação do Livro naqueles que serão apoiados pelo Ministério da Cultura que pretende financiar, projetar e construir 400 praças de cultura em todo Brasil.

A Comunidade-RN, premiada e classificada como Ponto de Mídia Livre pelo Ministério da Cultura, quer transformar a antiga Estação Ferroviária de Macau, hoje abandonada, num local agradável para uso do povo, com biblioteca, editora, gráfica, distribuidora de livros e um espaço para lançamento de livros, contação de histórias e apresentações  de música e poesia.

No aspecto legal, o departamento jurídico da Comunidade-RN notificará Prefeitura e Câmara de Vereadores de Macau e demais órgãos públicos interessados para a inclusão do espaço na Campanha Nacional do Livro Popular que será lançada no próximo mês de julho.  A transformação desse patrimônio abandonado em local de interesse social, cultural e de lazer para utilização da comunidade está apoiado no artigo 216 da CF e lei 10257/2001[Estatuto das Cidades] e a lei 10753/2003[Lei do Livro].

Projeto que já existe desde 2005 nos arquivos da Comunidade-RN

Minha conclusão é que se ninguém atrapalhar dará certo. Já deu outras vezes. Recordo-me do caso do Hotel Salinas. João Eudes liderou um grupo de macauenses para a recuperação daquele próprio. O hotel abandonado sem água, nem luz estava sendo utilizado pelos despossuídos macauenses. A ação começou com uma apresentação musical  “Faz escuro mais eu canto”.  Numa das últimas ações, eu estava lá com o João Eudes. Fomos até o Ministério Público e o Promotor de Justiça nos acompanhou até os escombros do hotel. Citado, o governo do Estado mandou construir casas para os que moravam no hotel e recuperou o prédio que agora serve à Universidade Estadual.

É assim, são 400 praças de cultura e uma pode ser em Macau.

De Claudio Guerra para o baú de Macau