O Apelo de Estocolmo, os comunistas de Macau e a luta pela paz. Agosto de 1950.

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O pintor Pablo Picasso um dos apoiadores criou o símbolo do Movimento

O movimento mundial pela paz foi lançado em 18 de março de 1950 por um grupo de intelectuais e artistas inconformados com o sofrimento do povo japonês com os efeitos da bomba atômica lançada pelos americanos em 1945 nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. O movimento buscava colher milhares de assinaturas dos partidários da paz no mundo todo. Conseguiu cerca de 150 milhões de assinaturas.  A participação dos comunistas foi fundamental nessa tarefa.  Em Macau o coordenador do trabalho foi o sapateiro Raimundo Eugênio, dono da Sapataria Macau, homem de fibra e por isso mesmo sempre perseguido pelas forças da repressão.  Muitos macauenses assinaram o abaixo-assinado que foi enviado para Estocolmo, na Suécia. O texto conhecido por Apelo de Estocolmo e transcrito por duas vezes no Auto de prisão de 27 de agosto de 1950 da Delegacia de Polícia de Macau afirmava que:

Delegacia de Policia de Macau, o Auto de prisão de 27 de agosto de 1950

“Declaramo-nos de acordo com  o Apelo de Estocolmo – Exigimos a proibição da arma atômica, arma de terror e de extermínio maciço de populações. Exigimos o estabelecimento de um rigoroso controle internacional para assegurar a aplicação desta medida. Consideramos que o Governo que primeiro utilizar a bomba atômica contra qualquer país cometerá não somente um crime de guerra mas, um crime contra a humanidade e será tratado como criminoso de guerra.”

As prisões de Manuel Ramos de Melo e José Batista da Silva que faziam a luta pela Paz Mundial no então distrito de Pendências era o retrato do mandonismo, do coronelismo, do patrimonialismo da década de 50. Ainda hoje, governantes e candidatos a governantes utilizam esses métodos repugnantes.  O governo americano foi contra a campanha porque sua elite já era a maior fabricante de armas do mundo. E desde essa época vivem de fomentar guerra nos países para vender suas armas.

DE Claudio Guerra para o baú de Macau

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