Vem da poesia de Horácio Paiva, certeira contra a maldade humana

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O jovem Horácio Paiva, Macau, 1961

Os anos nem sempre foram dourados em Macau. A década de 60 inicia com a luta dos trabalhadores do sal contra a exploração dos capitalistas salineiros. Nesse ambiente são  forjadas as futuras lideranças que mais tarde lutarão contra a ditadura. Horácio Paiva foi uma dessas lideranças. Foi um dos fundadores da Comissão de Justiça de Paz do Rio Grande do Norte que lutou pela anistia dos presos políticos e foi por vários anos presidente do combativo Sindicato dos Bancários. Horácio, um cristão humanista nunca deixou de lutar por um mundo mais justo. Agora, lavra seu protesto contra a imbecilidade. Para o rei da Espanha é normal matar elefantes, ursos, florestas, pessoas e olha que ele é presidente de honra de WWF organização de proteção dos animais e do meio ambiente! Existe coisa mais démodé que reis e rainhas? Vivas para Horácio e sua poesia certeira.

Da Equipe do baú de Macau

 

 

PELEJA COM O REI DA ESPANHA

 

“Não desejo ao senhor um pronto restabelecimento, porque isso o levaria

                                               a prosseguir com as suas estadas mortíferas em África ou em outro local.”

 

                                                                                                                             Brigitte Bardot

 

 

Nem todos aprendem a um só tempo

mas o rei da Espanha pelo menos aprenderá?

 

Onde estava a majestade

na caça ou no caçador?

 

O tiro no elefante

foi no corpo ou na memória?

 

Ou terá sido nos dois?

Ou terá sido em si próprio?

 

Matar um animal grande… estaria

o rei na idade do susto?

 

Se mata o maior de todos

os menores escaparão?

 

O que dirão o budista, o humanista

o cristão e o panteísta?

 

Coroa e manto o protegem

mas a morte não o reprova?

 

Calou a voz de Francisco

de Assis que lhe ensinara?

 

Faz protocolo tardio

em desculpas com o povo

mas recorre à consciência

em arrependimento sincero?

 

E no forum da consciência

mandará que ela se cale?

 

Será a indignação o juiz

ou será outro o tribunal?

 

 

(Horácio Paiva)

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