Das belas recordações de Getúlio Teixeira: Cine Theatro Éden

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[*] por Getulio Teixeira

 

Foto de autor não identificado, década 1950, Cine Teatro Eden, arq. Francisco Gama

Cada foto, cada citação, me transporta a uma vida feliz que vivi em minha cidade.  A fotografia dos arquivos do meu amigo Chiquinho Gama, este sim um memorialista da nossa cidade, me levam a um passado bem distante, meados dos anos cinquenta e sessenta. Ver a foto do auditório do Cine Éden é uma viagem ao passado. Não alcancei a sua construção, mas, por ouvir dizer que o seu criador, o Sr. Quincas do Vale, era um verdadeiro visionário em todos os sentidos. Dizem os mais velhos que o criador da obra arquitetônica, Cine Éden, os prédios para comércio e escritórios e o Bar Rochedo tinha poderes mediúnicos. Não posso afirmar, mas que tinha uma visão de futuro, disso não tenho a menor duvida. Voltando ao Cine Theatro Éden, foi local de apresentação de grandes artistas nacionais tais como, Luiz Gonzaga, o rei do Baião, Marquise Branca, vedete do teatro rebolado no Rio de Janeiro, Alberto Brasileiro, o único imitador perfeito de Bob Nelson, o cantor cowboy do Brasil e Virginia Lane a eterna vedete brasileira que ganhou notoriedade por ser amante de Getulio Vargas. O Cine Éden tinha características diferentes de todas as salas de cinema do país, pois o acesso era por trás do palco. Tinha só um projetor e o filme era interrompido para a troca dos rolos. Este procedimento causava certa preocupação aos frequentadores. Os rapazes que estavam naquele sarro com as namoradas tinham que prestar atenção na hora de parar a fita, pois as luzes eram acesas e o sarro interrompido. Todos os dias tinha sessão que  começava às oito horas. Os ingressos eram reaproveitados e a porteira Almira tinha que cuidar bem do ingresso para que durasse bastante. O operador do projetor era Alcebíades Mendonça, tendo como assistente Arraia, um galego sassará. Já a venda de ingressos era de responsabilidade de Zélia Barbosa, irmã de Luiz Gomes, nosso Cid Moreira tupiniquim, que era responsável pela confecção de cartazes. Por falar em cartazes, vale lembrar que a publicidade dos filmes era feita em cartazes, confeccionados em papel madeira e espalhados pelas principais esquinas da cidade amarrados aos postes. A grande atração da garotada eram os seriados, exibidos aos domingos nas sessões da tarde. As séries mais famosas eram Flash Gordon, um seriado futurista no planeta imaginário Ming, além das séries de bang-bang. A garotada passava a semana inteira economizando para garantir as matinês. Após as matinês, saíam às pressas a procura de roletes de cana, sacos de pipoca e o famoso cachorro quente de Januário, todos  na calçada da loja de Amaro do Vale. Talvez seja uma repetição: nós éramos felizes e não sabíamos.

[*] Getúlio Teixeira [getulioteixeira50@yahoo.com.br] é macauense e memorialista.

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