Festival Literário de Pipa: o cachê do Lobão e da Leão?

 

Foto Savio, 2010, Projeto Arvore do Livro de incentivo à leitura em Macau, arq; o baú de Macau

Leio matéria recente do jornalista Sergio Rodrigues, Cachê de Gabriel o Pensador não incentiva a leitura.  Sergio nos remete ao escritor Fabrício Carpinejar que cancelou sua participação na Feira do Livro de Bento Gonçalves (RS) por motivos óbvios: um cachê de R$ 170 mil para Gabriel o Pensador e R$1 mil para Carpinejar e outros escritores gaúchos. O jornalista diz que a “questão é relevante porque” contrapõe escritores, quase sempre introspectivos com os valores “da sociedade do espetáculo, essa senhora rica, espalhafatosa e desmiolada”  e propõe que mais sério e eficaz – além de mais barato – seria promover a visita de escritores a salas de aula, por exemplo, combinada com programas de leitura e discussão. Para ele e eu também concordo, escritor não é ator e livro não é objeto cênico. Falo sobre isso por alguns motivos. O primeiro pela disseminação de festas literárias no Rio Grande do Norte. Realizaram até em Macau, que não tem livraria, que a biblioteca da Casa de Cultura do governo do RN está abandonada e destruída e onde a prefeitura e o SESI inauguraram um “Complexo” literário que não tem as obras do homenageado, o sempre companheiro poeta Benito Barros. Mas, por outro lado, também em Macau, a Comunidade-RN, uma organização popular, vem realizando há vários anos a distribuição gratuita de livros e revistas, a apresentação de obras literárias e incentivando a leitura através de atividades lúdicas, aos montes, ao longo dos seus 10 anos de existência. Penso que a ida de escritores às livrarias e outros locais para o debate é positivo e incentiva a formação de leitores e que o lançamento de livros deveria ser mais literatura e menos festa. Por fim, recordo o trabalho do CEAT, o Centro de Estudos para Ação Transformadora que por volta de 2005 desenvolveu bom trabalho de incentivo à leitura com o apoio do MEC e da Prefeitura de Parnamirim. O projeto envolvia alunos e sua família, professores e funcionários das escolas. O projeto treinava professores para as práticas de leitura e promovia saraus literários. Os escritores potiguares iam debater nas Escolas sobre suas experiências de leitor e escritor. Abria também uma grande porta com a comunidade, levando os alunos para feiras e praças para recitais de poesias e cordéis. Por fim penso que festivais ou festas literárias tem pouca efetividade no incentivo à leitura, mas pode estar incentivando a patifaria.

De Claudio Guerra para o baú de Macau