Do poeta Alfredo Neves, as recordações prenhes de ternura

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DIMINUTIVO DE AMOR ETERNO

                                    Alfredo Neves

 

Foto Alfredo Neves, 2012, Ponte nova para Ilha de Santana, arq. Alfredo Neves

Da ponte mal consigo lançar a linha

A minha lembrança é tanta

Que o peixe seja galo, coró ou tainha

Não se fisgam para onde a vara aponta

Tudo aqui parece uma grande façanha

O sol no centro do rio se levanta

Ao invés de se pôr na ilhinha

Os carros zoam os motores em afronta

E dá uma saudade imensa da pontinha

Onde namorávamos nos anos noventa

Era uma ponte bem feinha

Pintada com todo tipo de tinta

Às vezes você chegava sozinha

E logo depois eu trazia uma manta

Para aquecê-la daquela tardezinha

Sempre frienta e sacrossanta

Hoje, ao bater de asas duma andorinha  

Vejo uma ponte nova com nome de santa

Uma leve garoa em forma de chuvinha  

E um nó enorme na garganta

Pois perdi também a minha barcacinha

Que aportava toda ferrugenta

Na minha ponte miudinha

Pareço estar agora em Atlanta

E aquela montanha de sal branquinha

Em nada mais abrilhanta ou encanta.

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