O Rio Açu e a dor de um macauense ausente

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O RIO AÇU EM MACAU.            Texto de Pedro Bevenuto de Paiva        

            Oh! Rio Açu, quantas saudades sinto de ti, quando via garbosamente o teu desfilar pelas terras das alvas salinas, de uma brancura sem igual. A tua passagem alegrava toda aquela gente que era beneficiada com o teu desfile. Despejavas no teu caminhar uma alegria enternecedora que a todos  contagiava com a tua passagem – os ribeirinhos, as marisqueiras  (Gilberto Avelino) na sua labuta diária, aos pescadores e os marítimos no “vai e vem” com suas barcaças do sal para o Lamarão. Mas o tempo que vive para todos orgulhosamente “dá e tira”. Para todos a sua parcela. Assim também chegou a sua vez.              

Hoje já não contentas a todos como outrora fazias, assim também todos lamentam os teus percalços. Como davas exuberância, hoje caminhas vagarosamente apenas para cumprir a tua sina de rio. Foste mutilado com a construção da barragem Armando Ribeiro, foste abandonado com a saída das salinas da Companhia Comércio e Navegação que formavam um grande cartão postal que deslumbravam os visitantes quando foram para o Alagamar,  e assim toda tua força, tua pujança e galhardia ficou reduzida e se hoje mostras que és útil e valente, mesmo assim ajudas os mais carentes.      

Hoje em dia só sentem alegria nas “nas terras das alvas salinas” quando é bafejado com um inverno bem chuvoso.     

Lágrimas me correm nos olhos e o meu coração sente a tua tristeza, quando passas lentamente vendo a Igreja de Nossa Senhora da Conceição que de ti nunca deixou de olhar. Como dói o coração de um macauense ausente. Como um ser vivo na natureza merecias um melhor tratamento.         

 Gerações futuras quando conhecerem o teu passado glorioso haverá de lamentarem o tratamento que te deram.

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