O Hotel da Dona Irene

 

Foto de autor não identificado, década 1950, à direita, o Hotel de Dona Irene, foto postado por Helder Marques no Cyber-Macau em 2012

Voltando ao resgate dos nossos prédios antigos. Na esquina da Praça da Conceição com a Rua São José, existe um arremedo de prédio antigo, totalmente descaracterizado, pertencente a paróquia de N.S. da Conceição. Quando foi construído tinha um primeiro andar e a sua área ia da esquina da  Praça da Conceição até o beco que liga a Rua São José à Pereira Carneiro. Funcionou naquele local o Hotel de Dona Irene Queiroz, irmão de Zé Queiroz,  Queiroszinho, Dona Elvira  e mãe da Drª. Conceição. Era o melhor hotel da cidade, hospedava personalidades políticas e artistas que visitavam nossa cidade. Dois acontecimentos marcantes aconteceram naquele Hotel.  Luiz Gonzaga, o rei do Baião, esperava na calçada o momento para ir para o Cine Theatro Éden para sua apresentação quando, um menino provocou o seu tocador de triangulo, o anão Salário Mínimo, que reagiu à provocação e partiu para briga. Outro fato aconteceu com o Dr. Zé Nilson de Sá, na época engenheiro  recém formado, que chegou ao hotel embriagado acompanhado de uma moça alegre e foi expulso com ameaças de vassouradas por Dona Irene. Zé Nilson depois se transformou em Proprietário da EIT maior construtora do Rio Grande do Norte. Depois do fechamento do Hotel,  o local serviu de base para alojamento e escritório da Petrobras que chegava na cidade na década de 1950 para as primeiras pesquisas do ouro negro em nosso município. Com a saída inexplicável da Petrobras, já que foi confirmada a existência de petróleo, instalou-se no velho hotel o Batalhão de Engenharia e Construção do Exercito. O batalhão chegou à nossa cidade para concluir a estrada de ferro Macau/Natal, sendo responsável pelo trecho Afonso Bezerra/ Macau.            A tropa era composta por um tenente comandante e sargentos, cabos e soldados. Entre os comandantes alguns se destacaram como Tenente Zé Maria, um gauchão  de 1,90m. de altura e toneladas de brutalidade, Tenente Maron, boêmio e namorador. Muitos destes militares casaram com moças de Macau como, Tenente Walter, Cabo Gomes, Cabo Clemente, Cabo Cavalcanti, Sargento Crispin e o Cabo Cleto.  Até hoje reside em Macau o meu amigo Cavalcanti, esposo de Margarida, que deu baixa do exercito e fixou residência em nossa cidade onde constituiu família.

Foto de autor não identificado, 1961, Casa do Estudante de Macau, na foto alguns dos estudantes citados por Getulio Teixeira, arq. José Arimatéira Gomes

Após a saída do exercito o prédio retornou à paróquia sendo transformado na Casa do Estudante, abrigando estudantes que vinham de Afonso Bezerra, Pedro Avelino, Pendências e Ipanguaçu. Pela  Casa do Estudante de Macau passaram meninos que mais tarde vieram a ser pessoas de grande destaque. Para citar apenas alguns, José Adécio (deputado), Luiz Chinêz (Cel. Da Aeronáutica), Cloude Figueredo(médico em Manaus), Edson Gê(prefeito de sua cidade Ipanguaçu) Arlindo Luiz(bioquímico), Rômulo Figueiredo(prefeito de Pedro Avelino), José de Arimatéia (Gerente do BB) e tantos outros que a memória no momento não ajuda a lembrar.  Infelizmente Macau dispõe de pouquíssimos prédios considerados antigos e junto com as demolições se foi também parte de nossa história.

De Getúlio Teixeira para o baú de Macau