Um prédio e seu destino [3]

Foto de autor não identificado, década 1980, Prédio de Amaro do Vale, arq. desconhecido

Quantos sonhos abrigou o prédio mandado construir na década de 1930 por Quincas do Vale, o Joaquim Marcelino do Vale? Contam que ele, autodidata, foi dos primeiros a estudar e divulgar a doutrina espírita em Macau num período difícil para novas idéias políticas ou religiosas que fossem contrárias ao cristianismo do Vaticano.  Das lendas, contam que Quincas do Vale tinha uma capacidade ímpar de adivinhar o que os fregueses queriam comprar e quando estes chegavam na sua loja, a mercadoria já estava até embalada aguardando o comprador.  Lenda ou não, parece que a capacidade de Joaquim do Vale para o comércio era grande. Foi pioneiro e inovou várias atividades comerciais na cidade.  E continuando o que funcionou naquele prédio, mesmo que por pouco tempo, o Professor Sebastião Maia [Tião Maia], lembrou-se que na década de 1960, o Grupo Escolar Duque de Caxias mudou-se para lá quando o prédio da rua da Frente começou a desmoronar. O depoimento das professoras Hilda Paiva e Terezinha Bezerra confirmam o fato. Dona Hilda lembra-se que a Diretora era Dona Lourdes Ferreira e que o dono do prédio nessa época era Amaro do Vale.

Foto Seu Santos, década 1960, o Duque em ruínas, arq. Professora Anaíde Dantas

Diz a professora Terezinha Bezerra que dava aula para a 5ª série no terceiro pavimento, a pequena torre que ficava na parte central do prédio. Recorda-se da escadaria estreita  e que as aulas iam das 16 horas às 19 horas e quando as nuvens [as  torres] de chuvas começavam a se elevar anunciando o temporal, as aulas eram dispensadas porque temiam pela segurança das crianças. A professora Terezinha Bezerra  lembrou-se que funcionaram ali  em épocas diversas, décadas de 1960/1980, uma  joalheria de Soares, um depósito do comerciante  Mafaldo e uma boutique de Iracema.

De Claudio Guerra para o baú de Macau