Uma poesia de Horácio Paiva

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                        MÃE

Google, Óleo sobre tela, Louis Priou 1845-? Maternité champetre 1882

 

Mãe

devo-te este poema

que sempre

seguirei querendo

escrever

 

esperei fazê-lo

em toda a minha vida

 

esperei o sol

e a lua

 

e ambos passaram

e voltaram

com palavras mudas

douradas e

pálidas

 

versos

trouxeram-me as estrelas

o mar

e os rios

 

versos que devolvi

aos livros

e ao tempo

que os prendia

 

mas o teu poema

estava sempre

aquém e além do tempo

 

e a voz para dizê-lo

não me pertencia

 

mas vi-o

em teu ventre

 

onde vi nascerem

as dimensões da vida

 

e as dimensões

de Deus

 

e se o amor triunfa

em caminhos infinitos

 

não pode haver começo

ou fim

para o teu poema

 

Horácio Paiva, é macauense, poeta e advogado. Foi da Comissão de Justiça e Paz do Rio Grande do Norte e presidente do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte.

                           

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