Tornando visível. Nossos irmãos ciganos estão pelo mundo e em Macau também. Afinal, o mundo é de todos nós!

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Imagem google Ciganos no século XIX

Agora em fevereiro de 2012 o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública contra a Editora Objetiva e o Instituto Antonio Houaiss e pediu a suspensão da venda do Dicionário Houaiss sob a alegação do mesmo tratar de maneira discriminatória e preconceituosa a etnia cigana. É só ir conferir, a maioria dos dicionários tratam de forma discriminatória e preconceituosa os ciganos.  A pesquisadora e escritora Carla Alberta Gonzáles Lemos publicou no Jornal de Hoje [24/5/2012] o texto abaixo onde traça a história dos ciganos no Rio Grande do Norte — não diferente no resto do mundo — uma história de resistência cultural e contra o preconceito. Carla Lemos, além de dar visibilidade aos ciganos, cobra dos governos as políticas públicas necessárias.  O texto é excelente.  Da equipe do baú de Macau

A história dos ciganos Calons no RN

[*]Carla Alberta González Lemos

Despertar historicamente a diversidade é mais do que uma necessidade, trata-se na primeira década do século XXI de uma ação política Assumir as diferenças nos transporta a questões da nossa memória histórica e de como participamos conscientemente dessa história.  O dia 24 de maio é comemorado no Brasil o dia da Consciência Cigana como um desafio às políticas públicas contemporâneas. Mais que isso, para a comunidade cigana, é dia de Sara, Santa Sara Kalin, a protetora de todos os ciganos.  O decreto de 25 de maio de 2006, assinado pelo então presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, institui o Dia Nacional do Cigano e no seu artigo 2º reza que: “As Secretarias Especiais de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos da Presidência da República apoiarão as medidas a serem adotadas para comemoração do Dia Nacional do Cigano”. Isto é, que aja com as demandas do povo cigano em todo o território nacional ações voltadas para a preservação da cultura cigana.  Não podemos a partir desse feito, inédito na História do Brasil, deixar de parabenizar o ex-presidente Lula pelo gesto positivo de reconhecimento público valorando e pontuando a participação e a importância do povo cigano na construção da identidade da Nação Brasileira.  Entretanto nas contradições das gestões estaduais, muito se deixa a desejar na questão dessas comunidades tradicionais que seguem à luz do século XXI clamando o reconhecimento e pontuar acima de tudo a omissão nas demandas associadas a ações políticas na promoção e no desenvolvimento sustentável dessas sociedades ditas tradicionais.  Passado 06 anos do ato pouco se tem de “garantias” sobre a questão cigana no Rio Grande do Norte. As demandas e as necessidades se fazem presente em cada comunidade (rancho) cigana visitada em todos os municípios do Estado do Rio Grande do Norte.  A partir desse lapso histórico associado à falta de ações políticas públicas no Estado o PPDCE-RN (Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento Cultural Étnico do Rio Grande do Norte) começa a delimitar as fronteiras que deságuam na omissão e no total desconhecimento da cultura cigana por grande parte da sociedade e das engrenagens que sustentam o Estado.  Sair do papel significa não somente “contar” essa história, mas acima de tudo desenvolver nas comunidades a sustentabilidade e a identidade histórica no intuito do reconhecimento enquanto minoria étnica promovendo dessa forma, a partir das demandas das próprias comunidades, os eventuais benefícios dos órgãos federais, estaduais e municipais.  Benefícios esses, diga-se de passagem, justíssimos para com a comunidade cigana, que sofre ao longo da nossa colonização e na própria formação de um governo genuinamente brasileiro uma convivência secular com o preconceito, com a exclusão social e com conceitos estigmatizados da cultura e da história de um povo que em muitos contextos se viu forçado à submissão no mundo dos “gadjé” e em todos esses processos as comunidades ciganas formaram uma imensa resistência no caminhar híbrido de cultura a cultura não perdendo a sua própria, pelo contrário reafirmando na tradição oral toda a força do povo cigano.  A objetividade histórica constrói-se através das incansáveis revisões da produção histórica e das verdades parciais que margeiam essa história constituída do fato e do objeto e sobre isso Certeau definiu muito bem a especialidade da história e defende a história do particular, onde esse mesmo particular necessita de atenção, exige uma investigação não como objeto do pensado, mas como limite do pensável.  E é esse limite do pensável que vai definir toda a trajetória das comunidades ciganas do Rio Grande do Norte através das extensas famílias que em caravanas andavam, negociavam, promoviam a leitura do futuro pelas mulheres ciganas numa poesia espetacular escritas nas linhas das mãos das jurins e viviam em todos os contextos e territórios potiguares.  Essa presença invisível na atualidade abre um precedente sobre as publicações existentes no Rio Grande do Norte, um hiato na memória social que muitos carregam nas famosas “estórias” de um certo “cigano” confrontando a memória oral das comunidades ciganas que sustentam grandes lideranças como as do capitão José Garcia, o capitão Cícero, capitão Luís Gonzaga, o capitão João Parelo (Tota) a lendária família dos Cem, os Fernandes, os Carnaúbas, os Targinos, os Henriques, entre tantos outros que servem até hoje como referência aos valores essenciais da preservação da cultura e da identidade cigana.  Em 1574, João de Torres e sua esposa Angelina são condenados ao degredo e enviados ao Brasil. A partir de 1686 a documentação da deportação dos ciganos é mais precisa e a orientação desse decreto é que ao desembarcar fossem enviados ao Maranhão. Inicia-se a trajetória dos ciganos Calons do Brasil, são esses Calons que hoje povoam quase todos os municípios do Rio Grande do Norte e estão em todos os Estados do Nordeste.  A etnia Calon, cuja origem é na Península Ibérica, através do projeto colonizador chega às colônias para o assentamento, o cumprimento de penas (todas fundadas no preconceito e na exclusão social) iniciando dessa forma o processo pelo qual se determinou a história dos ciganos no Nordeste do Brasil e a mobilidade a que se submeteram os grupos desde o fim dos cassacos e a invasão das empresas norte-americanas no Nordeste até a sedentarização imposta pelo capitalismo e pelas estruturas urbanas nas cidades construídas para o progresso nos fins do século XX.  De domadores de cavalos a negociante de feiras, estava o cigano inserido na História do Brasil. Disse certa vez um cigano a um construtor de barragens e açudes: “Cigano não come orelha de jumento”, afirmando dessa forma que a troca tinha volta e era essa volta que dava e ainda dá o sustento de famílias ciganas até os dias de hoje.  Em 2010 dois ciganos Calons do Rio Grande do Norte foram contemplados com o Prêmio João de Torres promovido pelo Ministério da Cultura. Dois projetos selecionados com publicação do Governo Federal. Duas escolas foram fundadas com o apoio do Projeto Mova Brasil e do Instituto Paulo Freire (que se pretende fundar em outros municípios), parceiros agregados como o CRDH (Centro de Referência em Direitos Humanos), a Pastoral do Nômades, dois documentários (que pretendemos estender a todas as comunidades), o projeto de um relatório histórico que possibilite um território para a construção de uma “Cidade Cigana” que tem como objetivo a promoção da própria cultura cigana no Estado e a inclusão plena de todos os ciganos potiguares em todos os projetos sociais e políticos do Estado do Rio Grande do Norte. Todos esses andamentos têm o sujeito cigano como protagonista e não coadjuvante, dessa forma a luta se justifica, se legitima e se materializa, isto é, reverte o conhecimento em ações participativas sociais. E esse é o objetivo.  A luta dos ciganos do Brasil e especificamente do Rio Grande do Norte, cuja bandeira se faz pela demanda de uma ação política voltada para uma afirmação identitária dentro de um sistema capitalista excludente, uma omissão histórica vergonhosa e principalmente pela falta de uma política pública voltada para essas comunidades é uma luta legitimada pela própria Constituição, uma luta justa e relevante para uma sociedade que se quer valorar pela perspectiva de uma cidadania plena, democrática e igualitária.  Se não for assim cai por terra todo o projeto de uma Nação Soberana.  No dia 24 de maio a luta cigana tem um nome: resistência!

]*] Carla Alberta González Lemos é Graduada em História, pesquisadora, escritora e militante dos Direitos Humanos (carlaalberta.gonzalez@hotmail.com)

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