Em Macau, a matinê de um domingo distante

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Tarzan ficara pendurado num cipó bem fininho e prestes a cair num lago cheio de crocodilos que pareciam famintos. Terminara assim o seriado na matinê do ultimo domingo. Primeiro passava a turma da rua do Cruzeiro, que hoje é Café Filho que foi até presidente do Brasil, e lá vinha as de Zé Bezerra com Dineuza à frente e junto Tica, Conça, e mais ainda Gracinha de Dona Lourdes, Lucinha e Lindalva. Os pequeninos vinham correndo atrás tentando segurar nas mãos e acompanhar o ritmo. Depois, passava a turma da Padre João Clemente, que foi santo padre em Macau até 1920. E lá iam, aos lotes, a turma de João Farias: Ceiça, Nena, Celia, Farias e Fátima levando Betita, ainda pequena pela mão. Junto, a turma de Sebastião Barbalho: Gracinha, Marcone, Múcio, Fátima e Marquinhos e também os Paivas: Gracinha, Tonho e Dida de Nazareno e Maria do Rosário e Anete de Luiz Bezerra. Os anos eram o sessenta e tantos e o dia, um domingo. O cinema era o São Luiz. Passavam apressados, temerosos que a fila dos ingressos fosse longa. Mas Eliza, com seu sorriso bondoso, venderia os ingressos sem pressa e os acalmaria. Entravam aos atropelos e lá dentro buscariam o melhor lugar, longe dos gaiatos que eram muitos naquele tempo. Os interesses diversos. Mocinhas e mocinhos iam mesmo paquerar, assistiriam o Canal 100 falando bem do governo e um jogo do Flamengo. Assistiriam o seriado sem surpresas, sabiam que Tarzan sempre escapava dos perigos. Os pequenos não tinham tanta certeza e, cismados, achavam que o cipó talvez não aguentasse Tarzan uma semana todinha.

Das lembranças dos amigos macauenses, de Claudio Guerra para o baú de Macau.

 

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