Um jovem casal de médicos na Macau dos anos quarenta e cinquenta

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Foto de autor não ident. década 1950, barcaças e navios no Lamarão; cedida Helder Marques

Dos escritos dos anos quarenta e cinquenta do século passado podemos saber com alguma precisão como era a cidade que os médicos Fernando Góes e sua mulher Auzenda Góes encontraram quando se mudaram para Macau naquele janeiro de 1946. No plano mundial o fim da guerra [1945] dava o alento para a reconstrução e a normalização da vida. O mundo socialista avançava mostrando que era possível uma vida com dignidade para todos. O getulismo trabalhista e nacionalista propunha um caminho para o Brasil que não era o do imperialismo e que acabou por levar Getúlio Vargas ao suicídio em 1954.

Foto de autor não ident.; década 1950, Jarbas, irmão de Fernando Goes Filho na Praça da Conceição, arquivo de Fernando Góes Filho

Nessa época Macau era uma das cidades mais importantes do Rio Grande do Norte. Cidade industrial com as maiores salinas do mundo e cuja produção de sal sempre foi a maior do Brasil. Navios do mundo inteiro vinham buscar o sal. Ancoravam no Lamarão e aguardavam as barcaças carregadas de sal para baldeá-lo ao navio. Apesar disso, a miséria era grande e os serviços públicos inexistentes ou ineficientes, transformavam a cidade num perigoso caldeirão de analfabetismo, criminalidade e doenças. Os chamados delitos de ocasião eram resolvidos na faca peixeira. Macau era o centro de uma região e acorriam para suas feiras os moradores do Vale do Assú, de Afonso Bezerra e até de Pedro Avelino. Para a religiosidade do povo daquela época em sua maioria cristã, era estranho que o jovem casal de médicos não participasse das cerimônias religiosas e nem das igrejas e ainda mais que fossem amigos do Doutor Vulpiano, um comunista. Foi uma época de muitos preconceitos e uma parte da elite da cidade os ignorava. O povo mais simples, sempre livre dos preconceitos, os estimava.

Uma das recordações de Fernando Góes Filho, até no cartão de boas festas, a humanismo de Dr. Vulpiano

Com tudo isso, os jovens médicos construíram boas e sólidas amizades na cidade: Itamar Bulhões, Niltinho Serejo, Jaime Dantas e Dalvinha sua mulher e Delfina e Seu Alfredo e muitos outros que ficaram nas boas memórias da vida em Macau. Em 1956 mudaram-se para Natal . Em Macau, lembra Dra. Auzenda, hoje com 96 anos, a maioria das consultas eram pagas em espécie: peixes, galinhas, etc.

Foto de autor não ident.; Veraneio na Ilha de Alagamar, Dra. Auzenda e amigas; arq. Fernando Góes Filho

 

As férias, na ilha do Alagamar [*], hoje uma grande salina, e as antigas casas de veraneio não existem mais.

Das recordações de Fernando Góes Filho que morou em Macau quando menino.

 

[*] Leia aqui, Férias na Ilha de Alagamar, de Getúlio Teixeira.

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