Tempo de balaios e calões: o trabalho nas salinas de Macau

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E. Valle, 1937, o trabalho na salina manual, arquivo

“O transporte dentro da salina – O transporte do sal dos baldes para os aterros, onde fica em depósito, e destes para as embarcações que o recebem, é feito em cestos de cipó, aos quais se adapta um pau longo e resistente, o calão, cujas extremidades se apoiam aos ombros de dois homens.  É indiscutivelmente um meio de transporte anti-econômico e deficiente; anti-econômico porque  eleva o custo de transporte de uma tonelada de sal em tão curta distância a 8$0 [*]; deficiente, porque não permite que se possa fazer uma colheita rápida nas salinas, tal como se faz mister, principalmente no fim da safra, quando se aproximam a época das chuvas que quase todos os anos, em vista de tal deficiência, prejudica geralmente 50 a 60 por cento da última cristalização ou tiragem, quando não o faz totalmente, como se tem verificado inúmeras vezes.  Tal meio de transporte tem que ser modificado. É um assunto que pede uma solução mais compatível com a falta de braços que em geral se faz sentir entre nós, sobretudo nas salinas em épocas de safra ela é uma crise assustadora, elevando-se, às vezes, o custo de transporte por tonelada dos 8$0 habituais a 15$0 e mais. Trabalha-se, geralmente, durante a safra, das 5 horas da manhã  até as 10 e 11 horas, conforme o calor da ocasião. De 11 até 2,30 horas o trabalho está completamente suspenso. A terra então escalda, e dentro dos baldes em que está o sal já amontoado e onde se encontram soluções salinas muito concentradas geralmente a 25º Beaumé[**], a temperatura é tal que não é possível o esforço humano”.

[*] à época 1940 a moeda brasileira era o réis [$] que em 1942 foi alterada para cruzeiro com o símbolo Cr$.

[**] Graus de Baumé é um escala hidrométrica criada pelo químico francês Antoine Baumé [1728-1804] para medição da densidade de líquidos.  

p.88/89 –A indústria extrativa do sal e a sua importância na economia do Brasil de Dioclécio D. Duarte, Ministério da Agricultura – Serviço de Informação Agrícola, 1941, Rio de Janeiro.

Para ver as fotos das salinas manuais acesse: Arquivo fotográfico – salinas manuais

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