Um menino vê a feira de Macau. É sábado e é nos sessenta! – segunda parte

É dia da Feira do Sábado, por Getúlio Teixeira [*]

 

Foto de autor não identificado, década 1950, Quadro do Mercado onde a feira se realizava. arquivo

Maria olhou tudo aquilo ligeiramente e prosseguiu sua caminhada, tinha muito o que comprar.  Foi ver os tecidos, as peças estendidas na calçada e a paciência do vendedor em abrir peça a peça, medir com os braços e mostrar sorrindo e propagandeando que aquela sim, daria o vestido mais bonito de Macau! Tinha sempre novidade e preço bom. No caminhão de Zé Pegado lá do Cabugi comprou queijo de manteiga e de coalho, manteiga em garrafa, sequilhos, bolacha preta e brote. Na esquina um cantador de versos com folhetos de cordel contava a história do Pavão Misterioso e mais à frente os emboladores de coco, em desafio ferrado, corriam o chapéu para os presentes.  Passou na raízeira para comprar quebra pedra e inventou de perguntar a hora.  Um barcaceiro estendeu o braço e mostrou o relógio grande e bonito. Era tarde, mas foi até o caminhão do Dioclécio e comprou as melhores mangas e bananas que vinham do Alto do Rodrigues. Por fim, chamou Morga para levar suas compras e foi até o quintal dos Pojucas na Padre João Clemente, perto do Beco dos Couros e do Beco das Galinhas. No quintal dos Pojucas ficavam os animais dos que vinham do sertão. Ali os animais bebiam, comiam e descansavam enquanto houvesse feira. Maria foi ali para buscar uma preciosa encomenda:  raspa de casca de Juá, xampu dos bons e que vinha do Amargoso.

[*] Getulio Teixeira é macauense, foi menino em Macau e tem memória privilegiada.