Um dia de feira em Macau. Eram os cinquenta.

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Foto de autor não identificado, decada 1970, Antigo Mercado do Peixe no Quadro do Mercado velho.

“Percorreu a feira que se esparramava em todo o quadro do mercado. Era um belo espetáculo a profusão de cores e cheiros. Homens, mulheres, crianças se entrançando, pesquisando, olhando, gritando, sorrindo. Piadas sobre tudo. As mercadorias analisadas e medidas. Mulheres sentadas no meio-fio debulhando feijão verde: — Este já esta encomendado, é do prefeito!; o cheiro forte do coentro entrando pelas narinas, enjoando. Os tomates e as melancias do Açu;  a mulher escolhe a melancia e discute o preço: — Está pela hora da morte! Os melões perfumados do Canto Comprido; o povo se espremendo com suas sacolas a procura dos jerimuns do Estreito; cestos de manga rosa e manga espada grudentas; profusão de moscas e abelhas sobrevoando tudo, pousando em tudo; o cheiro de suor do povo trabalhador se misturando  com o cheiro da fileira de abacaxis suados; as bananas verdes e amarelas aos cachos: — São do Bamburral! As batatas-doces e as macaxeiras taludas: — São da Baixa do Grito, diz o vendedor.”

p. 69 do Romance Ninguém para a Coréia, de Claudio Guerra