A poeira de Macau [1] Das recordações da médica Auzenda Goes

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Foto de autor não ident, década 1940, Maternidade em Macau, na foto, o segundo à esquerda é o doutor Fernando de Goes, arquivo de Fernando de Goes Filho

Os temas vão surgindo de acordo com as sugestões dos colaboradores, que  escrevem ou dão o mote. Assim tem funcionado melhor. O nosso mais recente colaborador, Fernando de Goes, levantou uma questão relevante da Macau dos cinquenta,  a poeira.  Seus pais, Fernando de Goes e Auzenda de Lima Goes, médicos, viveram em Macau de 1946 a 1956. Drª Auzenda [96 anos] fez um relato pungente da sua experiência em Macau e destaca dois fatos marcantes, a de que Macau era uma cidade de povo alegre e amigo, mesmo com todos os problemas e a “chuva de poeira” diária.  Foram os tempos que o Professor Luiz Maranhão e o médico Vulpiano Cavalcante andavam por Macau no trabalho do Partido Comunista Brasileiro para a emancipação do trabalhador. Tempos heroicos.  Penso que o conservadorismo, dominante em Macau, deve ter colocado muitos obstáculos para o jovem casal de médicos que tinham uma visão humanista e solidária e tinham a simpatia da população. Penso que o getulismo e o trabalhismo [Partido Trabalhista Brasileiro] movimento e partido de cunho conservador e as demais organizações burguesas devem ter forçado a saída do Dr. Fernando e Dra. Auzenda de Macau. É o que penso. Perdeu Macau e mais ainda a população macauense.   De Claudio Guerra para o baú de Macau

Leia o texto da Drª Auzenda Goes para o seu filho Fernando

 

Foto de autor não ident., década 1950, Drª Auzenda e amigas numa casa na Ilha de Alagamar, arquivo: Fernando de Goes Filho

Macau, cidade alegre, apesar das suas grandes deficiências e, da sua principal característica, inesperadas chuvas de poeira. O vento chegava forte, zangado e fazia flutuar por toda parte uma poeira que só desaparecia quando o vento abrandava. Tudo mergulhava e era envolvido pela onda de poeira: objetos e pessoas. Só depois de acalmado o vento, deixava de cair a poeira e era quando se podia tomar banho e dar banho nas crianças,  varrer e fazer a limpeza dos móveis. A hora da visita da poeira era imprevisível.  Pela manhã, pela tarde ou pela noite a poeira explodia, ficava algum tempo e depois ia embora. Nunca cheguei a me zangar com a visita da poeira e você Fernando suportava sem muitas reclamações e não adiantava mesmo reclamar.  Verifiquei que era realmente verdade, após varrer nossa casa juntava quilos de poeira muita fina das ruas de Macau, trazida pelo vento. Chuva em Macau era difícil, era apreciada e acabava com a poeira.  A crise da poeira era desagradável, mas Macau era uma cidade de um povo alegre, amigo. Nós, um casal de médicos fomos muito obsequiados e bem recebido na cidade.

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