A poeira de Macau [3] das recordações de Bevenuto Paiva

 

Fotografo não ident. 1948, Rua Boa Vista e o descampado onde hoje é o Mercado Municipal

Nasci na rua Boa Vista aos cinco dias do mês de maio do ano de mil novecentos e trinta e seis, numa sexta-feira. Filho de Manoel Bevenuto de Paiva e Maria Crisostomo de Paiva, ambos viúvos com três filhos cada. Cícero Bevenuto de Paiva, Luiza e Marfisa, filhos de Manoel; Cícera, Rita e José, filhos de Maria Crisostomo. Meu avô paterno era Bevenuto Marcolino de Paiva descendentes dos primeiros portugueses que chegaram em Macau vindo de Bananeiras na Paraíba segunda metade do século XIX. Desse matrimonio nasceram: Quintiliano, Pedro, Sebastião, Manoel e Ana Maria sendo que nasceram outros cinco que faleceram nos  primeiros meses de vida após o nascimento.  A rua Boa Vista é formada por dois quarteirões, sendo que num quarteirão não existiam casas pela frente. Tínhamos como vizinhos pelo lado norte o estivador José Honorato e o pescador João de Arruda e pelo sul o músico Chico Doido e os estivadores Ramiro e Elpidio, irmãos. Entre essa rua e o Porto do Roçado havia uma imensa área descampada, sem nenhuma moradia, e isso era incomodo para os moradores, visto que ventava e que não havia o que parasse a areia fina que aterrava as casas, obrigando os moradores a se juntarem para retirar a areia, o que  faziam a noite, pois o tempo frio era mais apropriado. Quando o vento soprava, ninguém fazia refeição devido o volume de areia que caía na comida.