A poeira de Macau [5] no romance de Claudio Guerra, Ninguém para a Coréia

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E. Valle, década 1930, rua Tenente Victor em Macau-RN

“A guerra fria estava em andamento. Os Estados Unidos da América armava a Coréia do Sul para evitar o avanço iminente dos comunistas naquela região.   A China fazia sua revolução socialista com Mao-Tse-Tung no comando. A perseguição aos comunistas dentro dos Estados Unidos era de uma violência incomum. Nos países latinos americanos o crescimento dos Partidos comunistas era grande.  O Plano Marshall acenava com a reconstrução dos países destruídos pela guerra como forma de barrar o avanço comunista na Europa. Em outra frente, financiava a repressão sobre os trabalhadores e uma violenta campanha nos rádios e jornais com mentiras sobre o ideário e a ação dos comunistas. Este assunto da excomunhão era requentado de tempos em tempos, pois já se passara mais de um ano do decreto do Papa Pio XII excomungando comunistas e proibindo o casamento de católicos com comunistas. Mas tudo isso contribuía para a verdadeira situação de terror. As pessoas viviam amedrontadas só de pensar que no comunismo as mulheres seriam de todos os homens e os filhos seriam educados longe dos pais.  Encerrada a reunião já passando das onze da noite, todos saíam em grupos pelos becos escuros e perigosos, falando dos problemas do cotidiano. — Eu só penso que amanhã bem cedo tenho que tirar a areia da porta de casa.  – comentava Canindé.   Você é a areia e você pode tirar e eu que tenho que aguentar a poeira desses carvoeiros aqui em frente de casa. Ai eu pergunto: adianta abaixo-assinado para o prefeito? Adianta não! Já fizemos um monte!  – falava João Calafate”  p. 84/85 capítulo 16, da obra Ninguém para a Coréia, de Claudio Guerra, editado em 2008.

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