Presença de Mario de Andrade em Macau – segunda parte

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E.Valle, década 1940, salinas de Macau.

Enfim as salinas adormeceram a tristura, com Macau lá na ponta, chão de telha e torrinha branca. Macau terá seus quatro mil habitantes de sal, sal magnífico. As últimas análises provaram definitivamente a excelência do sal norte-riograndense, muito superior ao de Cádiz por menor coeficiência de sais magnesianos. Além do mais a produção potiguar pode abastecer o mundo quando a indústria se desenvolver completamente. Sendo uma das indústrias em que mais se perde matéria-prima, essa perda nas terras salineiras do Rio Grande do Norte é compensada pela facilidade de cristalização do sal por causa da violência mucuda do sol e do vento e a impermeabilidade do solo. [continua] Mário de Andrade, Turista Aprendiz, p. 286, in Macauísmos de Benito Barros, p. 134.

O escritor Mário de Andrade foi um dos expoentes da Semana da Arte Moderna em 1922 em São Paulo, movimento cultural que propunha novas idéias, renovação da linguagem e liberdade criadora, dentre outras propostas no cenário cultural do Brasil.  Mario de Andrade visitou Macau  no ano de 1928 e  o potiguar Câmara Cascudo foi o seu grande amigo e  mantiveram profícua correspondência. Era uma viagem etnográfica e o escritor queria conhecer o Brasil. Já havia realizado em 1927 uma viagem à região Norte.