Cachorro-quente de pão francês e cação: das memoráveis lembranças de Pedro Paiva

A Pedra  do Quadrilátero

Foto de autor não ident.; década 1950, Mercado velho, hoje o CCAB

Nos tempos idos dos anos quarenta, quando a nossa Macau vivia bucolismo de cidade provinciana sempre existiu um lugar onde todos se encontravam e se conheciam e até se distinguiam como classes sociais. Neste lugar de encontro tão bem benfazejo, era a nossa saudosa Praça do Mercado, onde se reuniam para negócios e conversas, com encontros fortuitos com pessoas de outros municípios e povoados, onde todos se atualizavam  com as últimas noticias.  Nossa pedra era tão movimentada que nada sobrava, tudo que se trazia, era vendido. Carneiro, bodes, ovelhas, peru, galinha, pavão; manga e abacaxi que chegavam nos botes que atracavam naquele pequeno cais da rampa do mercado, tudo que chegava era sempre pouco nos dias de feira. Caminhões de todos os tipos, chegando e saindo, animais de transporte de carga e de gente ao longo da rua Martins Ferreira e no beco de Luís Xavier. Uma coisa “sui generis” acontecia ali, pois por tantos anos nunca ouvi falar: existia um vendedor de rolete de cana, assim como cachorro quente de cação com pão francês, cortando o pão em rodelas e vendia por duzentos réis, para os alunos que iam de manhã para o  Duque de Caxias. Temos ainda as castanholas da casa de seu Caetano que eram vendidas a cem réis. Isso são coisas de um passado longínquo que o tempo não apaga.

Natal, 22 de agosto de 2012.  De Pedro Paiva para o baú de Macau.