A Fada do Sal e outros poemas de Horácio Paiva

A fada do sal

 

Poema ao imaginário de Macau

 

vestida de noite antiga

pareceu-me ver

a fada do sal

 

e o terral a conduzia

no sonho de um tempo

que nunca existiu

(Horácio Paiva)

 

A emoção, sentimento positivo, às vezes atrapalha, os textos precisam de “gaveta”. Holocausto saiu feito foguete. E fui atrás. Mas não poderia ser assim. Daí, reescrevi o poema. Eis o poema reescrito:  

Holocausto

das varandas da lua

jorra  o pranto

assim vejo

assim canto

 

são corpos enfileirados

quando o beijo do sol doente

faz derramar sobre eles

como de um cálice

o sangue

(Horácio Paiva)

 

Pontos nos is

(Ensaio de arte poética)

da palavra

a precisão

 

da imagem

a emoção

 

da beleza

a perfeição

 

(ou o perdão)

(Horácio Paiva)

 

Deus não está fora

 

Deus não está fora

não saiu a passeio

 

A linguagem de Deus se espalha

 

Há quem fale com os pássaros

e com os peixes

como Francisco e Antônio

 

Há quem fale com as pedras

e mesmo com o deserto

mas isto só os iluminados

como os velhos eremitas

 

E no pão consagrado

Deus está presente

 

À porta de sua casa

(Horácio Paiva)