A Torre Azul do poeta Horácio Paiva por Claudio Guerra

Quase sempre cerrado na minha torrinha sob Umbaúba acolhedora,  saí de casa na noite de 30 de agosto de 2012 para abraçar o amigo e companheiro desde o 1981, Horácio Paiva.  Ao sair de casa e dobrar a primeira esquina, penetrou-me  a lua, soberba!  No alto, por cima do Barro Vermelho e Mãe Luiza entrou-me pela alma num alumbramento que há muito não sentia. Felicidade plena de sentir a vida bela, que pode ser mais bela ainda, quando o ser  for superior ao ter . E com este pensamento fui ao encontro da poesia de Horácio, que desde sempre luta pela supremacia do ser.  Pois bem, a lua por sobre o Atlântico,  lua de pura poesia  me trouxe a recordação que em Macau, somente em Macau em tempos idos sentira uma lua assim. E então, no dia do seu aniversário, quando completou 67 anos, o poeta Horácio Paiva, nascido no delta luminoso de Macau, entre mangues, gamboas, dunas e salinas presentou a todos com sua poesia. A Torre Azul é um livro de esmero, com orelha por Eduardo Gosson, da UBE-RN, prefácio de João Charlier Fernandes, capa belíssima do Getúlio Moura, poesia de Félix Contreras na contracapa, diagramação de Waldelino Duarte, impressão e acabamento pelos trabalhadores da Offset Editora e Gráfica, de Ivan Júnior. A edição é da Nave da Palavra da União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte em coedição com a Imperial Casa Editora da Casqueira, muito bem lembrado por Horácio que prestou homenagem  a Benito Barros, sempre presente nas boas coisas de Macau.

 Na sua composição, o livro traz A torre azul, com as indagações e as certezas do poeta, como em  O Espelho:

No espelho não procures/o retorno de tua alma/ou de teu corpo. // Crês no que vês, é certo/mais imagens são miragens/que no deserto enganam/os teus olhos fatigados.  

Os Puros, a inquietação natural dos poetas, como em  Les mains sales: O tempo escorria lentamente/e tudo estava tranquilo…/até Sartre roubar o meu relógio.

E como homem cristão e de fé,  os Poemas devocionais, como,   Partida: postais sentinelas/no dorso das miragens/enquanto vós mesmo vasculhais/o pátio interno // piedoso porém ante o olhar/- cortado pelas vagas -/a vos aguardar/submisso/no cais de embarque.

Enfim veio a público A Torre Azul de Horácio Paiva. Conspirou o tempo que anunciava  muita chuva e não choveu e conspirou a lua, transformada numa lua de Macau. Enfim tudo muito agradável, a noite, a Academia Norte-rio-grandense de Letras que abrigou o lançamento da poesia de Horácio Paiva, os amigos e novos amigos e a presença marcante do poeta Félix Contreras que trouxe a alegria e a camaradagem dos nossos irmãos cubanos.

De Claudio Guerra em setembro de 2012