Uma poesia de Gilberto Avelino: Os Ciganos

Os ciganos 

À margem das estradas,

as tendas armam os ciganos.

Apegando-se á terra nua vão,

E sentem que a vida se renova

com o sol

que resplandece em suas mãos.  

2012, Professora e Pesquisadora Carla Lemos no projeto Comunidade Cigana Gonzaga Carnaúba em Macau-RN

 

 

Exemplo melhor nos dão de solidarismo:

do chão, da relva, dos frutos,

dos céus iluminados,

tornando-se irmãos.

 

Livremente fazem o que desejam.

E vendem ilusões com extrema graça,

decifrando os riscos de outras mãos.

 

Se sustentam o equilíbrio

entre o real e o sonho,

se tredas estórias entoam,

é porque isso faz parte

do seu universo de aventuras.

– Ah, enganam os sabidos que lesaram os tolos.

 

E os vendo, afinal, em dança de guizos

com panos vermelhos às cabeças presos,

experimenta-se logo a distinção que existe:

 

vós,  senhores, permaneceis tristes,

e alegres e felizes os ciganos vivem.

 

p. 115/116 Diário Náutico – Obras Completas – volume I, Sebo Vermelho Edições, Natal-RN, 2004.  Original da obra: O Moinho e o Vento.  Gilberto Avelino [1928/2002]