Década dos sonhos em Macau, por Marcel Jules Thiéblot

 

Claudio Guerra, 1983 – Salina Soledade, Trabalhadores quebrando o sal, Macau-RN

O livro de estudos sociais editado pela Secretaria da Educação do Rio Grande do Norte deveria esclarecer o aluno e o incauto turista que Macau faz a riqueza do Brasil – ou das multinacionais —  mas em termos de urbanismo, de turismo, regrediu bastante. Mas seu eu disser que está morrendo, sou injusto porque, assim mesmo, vi em Macau uma juventude que se criou nesse decênio, sem ter conhecido o esplendor dos anos de fartura, e que não se entrega. Testemunham essa vitalidade, os shows promovidos à noite, onde meninas e rapazes vêm exibir seus talentos de cantores, provocando aplausos e vaias. Também esses ensaios de carnaval que desfilam pelas ruas e ainda os seis times de futebol. Macau espera muito da construção já em andamento da fábrica de barrilha, o projeto Alcanorte, que deve produzir 200.000 toneladas anuais e está sobre controle da  Companhia Nacional de Álcalis [a mesma de Cabo Frio]. Mesmo que as salinas CIRNE sejam as principais fornecedores do sal a fábrica Companhia Nacional pretende incentivar as pequenas salinas, para competir no fornecimento da matéria-prima. Em suma, é uma vida que ressurge e pretende vencer. Velhos saudosos podem desanimar, mas a garotada não se entrega e devemos confiar nela.

Páginas 74 e 75 da obra Os Homens do Sal no Brasil, de Marcel Jules Thiéblot, Edição do Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas, 1979, São Paulo.