Um passeio pela Macau de antigamente: bodegas e bodegueiros

Das memórias vivas de Getúlio Teixeira, um passeio pelas antigas bodegas de Macau onde se comprava comida, bebia cachaça se informava do acontecidos na cidade.

 

 

Seu Santos, década 1960, Bodega de Xixi Borja, post por Tião Maia em 2012 no Cyber-Macau.

Desta vez não quero falar das bodegas que se localizavam no velho Mercado Público (CCAB). Quero me reportar às localizadas em diversos pontos da cidade.  Elas se espalhavam por todos os cantos da cidade, por ruas, vielas e becos. Cada uma recebia o nome de seu proprietário.  Várias delas me vem a memória no momento, Toinho Brejeiro, Manoel da Paz,  no Valadão, Zé Marcelino, Albertina Tetéu,  Antonia Botão, Xixi Borja, Antonio Pimenta,  no centro, Bento Ferreira, Alexandre Torres, Zé Ciriáco, Chico Rapadura, no  Porto do Roçado, Miguel Salóia, no  Alagamar, Marmota, Alfredo Avelino, Chico Muncunza, Xavier, Dagmar Rodrigues, no centro da cidade.

As bodegas assimilavam o nome do dono e a freguesia era composta por moradores da redondeza e colegas de trabalho. Quase todo bodegueiro tinha outra profissão.  Quase todas tinham as mesmas características, balcão de madeira, com uma balança de concha, um jogo de peso, papel de embrulho em folhas com um barrote de madeira em cima, uma caderneta para anotar o fiado, depósitos de vidro com confeitos (bala), uma manta de carne de charque, algumas garrafas na prateleira, uma lata de querosene com uma bomba para a venda no retalho, alguns sacos com farinha, feijão e açúcar.  

No Valadão, Rua São José, tinha a bodega de Toinho Brejeiro e no final desta rua, a bodega de Manoel da Paz.  Na Rua Tenente Victor tinha a bodega de Dona Antonia Botão, onde se comprava uma das melhores bananas da cidade. No inicio da Rua do Mineiro, hoje a Frei Miguelinho,  tinha a bodega de Dona Albertina Tetéu. Na Rua da Gameleira  estavam as bodegas de Antônio Pimenta e de Xixi Borja e logo no começo do Porto do Roçado, as bodegas  de Alexandre Torres, Bento Ferreira, Chico Rapadura.

 Era comum a bodega vender, além de gêneros alimentícios, cachaça, quinado, zinebra, conhaque e o velho traçado(mistura de cachaça com conhaque). Muitas vezes o proprietário improvisava um tira gosto ou parede como era chamado. O tira gosto arranjado  era um pedaço de charque torrada no álcool na bandeja da balança servido com farinha.

 A bodega além de local de abastecimento de gêneros alimentícios era também um ponto de encontro para jogar conversa fora, se inteirar dos últimos acontecimentos da cidade ou falar da vida alheia, o bodegueiro era sempre uma pessoa bem informada.

 De Getulio Teixeira [getulioteixeira50@yahoo.com.br] para o baú de Macau